Fiscal quer investigação sobre demora na confirmação de doença da vaca louca

Presidente do Sindicato Nacional dos Fiscais Agropecuários diz que categoria cumpriu seu papel, mas vê interferência no anúncio do resultado

VENILSON FERREIRA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h05

O presidente do Sindicato Nacional dos Fiscais Agropecuários (ANFFA Sindical), Wilson Roberto Sá, acusou interferência nos procedimentos do serviço brasileiro de defesa agropecuária para retardar o anúncio da confirmação da presença do agente patogênico da doença da vaca louca na fêmea bovina que morreu em dezembro de 2010 no Paraná.

Wilson Sá defendeu a categoria dos fiscais, dizendo que o serviço de defesa, ao detectar a proteína responsável pela doença, "cumpriu seu papel de guardião da saúde". Mas enfatizou que é preciso apurar a responsabilidade pela demora de 14 meses na divulgação dos resultados.

Ele explicou que, pelos protocolos da defesa agropecuária, os resultados deveriam ter sido divulgados rapidamente, pois na sequência do exame obrigatório sobre raiva bovina são realizados outros para detectar enfermidades como a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), nome científico da "vaca louca". "Para isso dispomos de uma rede de laboratórios", diz ele.

Ao ser questionado sobre quem seria o responsável pela demora na divulgação dos resultados, Sá disse que, "com certeza, não foram os técnicos", sem responder se houve interesses econômicos ou políticos. Ele lembra que o problema surgiu numa época conturbada no Ministério da Agricultura, durante a gestão do ex-ministro Wagner Rossi, que deixou o cargo em meio a denúncias de irregularidades.

Wilson Sá diz que para o sistema de defesa sanitária brasileiro se tornar ainda mais eficiente é necessário aumentar o quadro de funcionários, a fim de manter "o Brasil seguro diante das ameaças". Ele também defende a melhoria das estruturas nas unidades da Federação, liberação de recursos e condições favoráveis e dignas de trabalho para os fiscais agropecuários federais.

Outro lado. Ao justificar a demora na divulgação dos resultados, as autoridades sanitárias afirmam que existem vários fatores que explicam por que o caso não foi tratado como emergência, entre eles a idade do animal, que tinha 13 anos e teve morte súbita, sem apresentar sintomas degenerativos da EEB.

O primeiro exame deu negativo para a raiva e os dois seguintes deram resultado contraditório para EEB. A demora seria explicada pelo fato de os laboratórios terem realizado outros 1.500 testes. A confirmação da EEB só ocorreu na semana passada, após os técnicos terem recebido o resultado dos testes feitos por um laboratório de referência da enfermidade localizado em Weybgidge, na Inglaterra.

Viagem. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ênio Marques, viaja na próxima semana a Genebra, na Suíça, onde se reunirá com diplomatas brasileiros que atuam na Organização Mundial de Comércio (OMC), para repassar informações sobre a constatação da presença do agente patogênico da doença da vaca louca num animal que morreu no Paraná.

O governo brasileiro se baseia no comunicado da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para contestar as possíveis restrições e embargos às importações brasileiras de carne bovina. Após receber relatório sobre a ocorrência, a OIE manteve o status do Brasil de "risco insignificante" para Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), o nome científico da enfermidade.

Marques ficará em Genebra nos dias 19 e 20 de dezembro. Na sexta-feira ele participa de reunião na OIE, para discutir a criação de um fundo global de cooperação na área de saúde animal. Ele afirmou que o governo brasileiro está pronto para dar explicações aos países importadores sobre o "caso, que é único".

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