Fisher discorda de Fraga e diz que FMI não impõe receita

O vice-presidente do Citigroup e ex-vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer, discordou da proposta do presidente do Banco Central do Brasil, Armínio Fraga, para que o FMI relaxe as exigências em seus programas de ajuste para países em recessão obter superávits primários nas contas fiscais."Não ouvi o que o Armínio pode ou não ter dito, mas ficaria surpreso se ele realmente fez essa declaração relatada por vocês (da imprensa)", afirmou Fischer.Segundo ele, nunca houve uma receita para os programas do FMI. "Quando a equipe técnica do Fundo senta com algum governo para estabelecer um programa, a questão fundamental que se analisa é a sustentabilidade da posição fiscal do país, ou mais especificamente a dinâmica da dívida refletida na relação dívida/PIB. Dessa forma, alguns programas requerem que se obtenha superávits primários, mas outros não", disse.Fischer citou como exemplo os países da Ásia durante a crise financeira de 1997, quando ele conduziu o FMI na elaboração dos programas de ajustes. "Aqueles países tinham uma sólida posição fiscal, portanto os programas de reforma da política fiscal exigiam como resultado déficits fiscais em vez de superávits", afirmou.

Agencia Estado,

03 de fevereiro de 2002 | 19h52

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