Fishlow defende Plano Real na área política

O economista americano Albert Fishlow defende que o Brasil aproveite a atual crise política para promover uma ampla reforma na área política, a exemplo do que o Plano Real propiciou à economia do País. Em entrevista à Globo News, ele se mostrou preocupado com a atual crise, mas enxerga uma oportunidade de mudança. "O lado positivo da crise é que se poderia criar o que foi criado com o Plano Real. Houve uma reforma fundamental da economia para acabar com a inflação e poderia ser feito a mesma coisa com o lado político para acabar com problemas de corrupção", argumentou. A estabilidade dada à economia com o Plano Real, segundo Fishlow, é, inclusive, o que está propiciando que a crise política não afete o cenário econômico. "O Brasil aprendeu que a inflação não é solução, que representa problema. Com conseqüência, limitou o déficit fiscal, elevou as exportações e, com tudo isso, está criando uma economia modelo", avaliou. A proporção que a crise política tomou surpreendeu o economista. Em março, Fishlow previu problemas para o País nessa esfera quando Severino Cavalcanti (PP-PE) foi eleito presidente da Câmara, porque imaginou que a eleição dele travasse a votação de projetos importantes para fomentar o crescimento brasileiro.Os economistas brasileiros, afirma Fishlow, estão bem mais preocupados com a atual crise do que o mercado financeiro internacional. Ele comentou ter participado de um seminário com economistas estrangeiros, no qual eles avaliaram que "tudo estava certo" na economia brasileira, que já tem um balanço positivo na conta de comércio "da ordem de US$ 40 bilhões", além de superávit na Conta Corrente. O problema mais emergente que o Brasil precisa atacar, na opinião de Fishlow, é a vultosa dívida interna. "Só no ano passado houve redução de 59% para 50% (da dívida) em termos líquidos. Foi a primeira vez que ocorreu uma queda tão rápida." O fundamental, para ele, é que esse ritmo de redução seja mantido. A receita dele é aumentar o superávit fiscal. "É a hora em que se poderia fazer para conseguir no ano que vem uma queda na dívida pública", afirmou. Assim, ele acredita que as notas de riscos do País poderiam melhorar.

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