Fitch aponta recuo em onda de upgrades na nota de emergentes

Agência cita queda no crescimento e pressões políticas como causas para estabilidade nos ratings a partir de agora

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2013 | 02h06

A agência de classificação de risco Fitch Ratings informou ontem em relatório que a tendência de melhora das avaliações de países emergentes vista desde 2010 "parece ter diminuído". No documento, a agência afirma que novas mudanças de rating serão, a partir de agora, mais determinadas por aspectos locais e menos pela tendência global.

"O forte movimento de melhora dos ratings soberanos de países emergentes registrado desde 2010 parece ter diminuído com muitos países enfrentando mais desafios para o crescimento econômico, dificuldades de escolha nas políticas internas e pressões políticas", diz o documento, citando que atualmente há 12 países emergentes com viés negativo, 7 com perspectiva positiva e 47 têm tendência da nota estável.

No grupo maior está o Brasil, que hoje conta com nota BBB e viés estável pela Fitch. No documento, a agência não faz nenhum comentário sobre uma eventual atualização da nota brasileira.

Ao citar a expectativa de tendência para todos os emergentes, a Fitch afirma "esperar que futuras mudanças de classificação de emergentes tendam a ser mais influenciadas por fatores específicos de cada país do que por uma tendência macroglobal". "No primeiro semestre, o saldo de atualizações entre melhoras e pioras foi ligeiramente inclinado para o lado positivo", diz o relatório.

Entre os upgrades do período, estão Lituânia, México, Filipinas, Tailândia e Uruguai. Do outro lado, Egito, Jamaica e África do Sul tiveram algum tipo de queda da nota soberana - seja em moeda estrangeira ou local- no período.

Efeito Fed. A agência avaliou ainda que a provável mudança na política monetária nos Estados Unidos "adiciona preocupação" para os emergentes. Para os analistas da agência, o principal risco está na redução do crescimento, redução dos preços das commodities e estabilidade financeira na China. Apesar desse alerta, os analistas da Fitch dizem que não preveem sofrimento generalizado pelas economias em desenvolvimento.

A agência diz que os países emergentes mais vulneráveis são aqueles com contas externas frágeis. Para a Fitch, esses mercados serão os maiores prejudicados, entre os emergentes, pela possível retirada dos estímulos à economia americana. "A perspectiva para o Fed aumenta os riscos para emergentes mais fracos, como aqueles com grande necessidade de financiamento externo e baixas reservas internacionais ou vulnerabilidade estrutural", diz a Fitch, ao citar o câmbio, excesso de dívida de curto prazo e dependência de credores internacionais como áreas vulneráveis.

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