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Fitch decidirá sobre rating do Brasil em até 18 meses

Agência de classificação de risco diz que entre 12 e 18 meses deve tomar uma decisão; alterações podem ocorrer antes do prazo, mas não é algo comum

RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 14h41

A mudança da perspectiva do Brasil de neutra para negativa sinaliza que de 12 a 18 meses haverá uma decisão sobre a nota soberana do País, disse em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Shelly Shetty, diretora de rating soberano para a América Latina da Fitch. "Alterações de rating podem acontecer antes, e alguns casos já ocorreram, mas não é comum", ponderou. Ela fez o comentário ao ser perguntada sobre se o rebaixamento da nota soberana do Brasil é iminente, como apontam alguns especialistas.

Shelly ponderou que reconhece uma nova política econômica no Brasil, inclusive com o comprometimento do governo em cumprir a meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano e de 2% para 2016. Ela também destacou a posição do Poder Executivo de não repassar recursos do Tesouro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste ano. "Contudo, há um cenário para a área fiscal que precisa ser concretizado. Além disso, a retração da economia neste ano coloca um viés de baixa sobre a nossa previsão para o superávit primário para 2015, que é 0,9% do PIB", comentou. Ela projeta que esse indicador deve chegar a 1,7% do PIB em 2016.

Contudo, caso o governo cumpra a meta fiscal neste ano, Shelly Shetty ponderou que esse fator, junto com as condições de recuperação da economia, serão "considerados para decisões de rating" pela Fitch.

Em relação à Petrobras, a diretora da agência internacional frisou que não poderia fazer comentários porque não é especialista em questões relacionadas à empresa e preferiu não considerar qual seria o efeito para a nota soberana do País caso o Poder Executivo federal precise socorrer a Petrobras com aporte de recursos da União. "Não avaliamos situações hipotéticas para rating, como uma eventual capitalização do governo na companhia estatal", afirmou.

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