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Fitch diz que eficácia do ajuste fiscal vai definir nota de crédito do País

Crises política e econômica levaram o Brasil a ter três rebaixamentos da nota soberana em cerca de um ano

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2016 | 14h08

NOVA YORK - A agenda de política econômica do governo de Michel Temer, a trajetória de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e, principalmente, a eficácia das medidas de ajuste fiscal no país, para corrigir o crescimento da dívida pública, estão entre os fatores que a agência de classificação de risco Fitch Ratings vai avaliar nos próximos meses no Brasil para determinar a nota de crédito do país, afirmou nesta quinta-feira a diretora de ratings soberanos da Fitch Ratings para América Latina, Shelly Shetty.

A crise política e a crise econômica levaram o Brasil a ter três rebaixamentos da nota soberana em cerca de um ano, disse a diretora na conferência anual de ratings soberanos da Fitch nesta quinta-feira em Nova York. "Olhando para frente, ainda vemos riscos de piora dos ratings da América Latina", disse ela, citando além do Brasil problemas em outros países da região, como Equador, Argentina e Bolívia. Ela destacou como uma questão comum em várias economias da região a piora fiscal, com a dívida dos governos em alta, além de uma piora do ambiente político em vários mercados.

A América Latina está entrando em seu segundo ano de contração econômica e deve ter retração na casa de 1% este ano. Ao todo, seis países da região estão em recessão e a expectativa é que o Brasil volte a crescer em 2017, mas ainda em ritmo abaixo da tendência. "No Brasil, houve intensa contração do investimento por conta das incertezas políticas e econômicas", afirmou Shelly.

"A capacidade de resposta da política econômica e a credibilidade das ferramentas macroeconômicas serão críticas para determinar a trajetória do rating", disse Shelly, destacando que essa análise vale não só para o Brasil, mas para outros países com situação mais complicada na América Latina. "Perspectivas de crescimento do PIB e trajetória da dívida são outros fatores", disse ela.

"Vamos olhar a agenda de política econômica de novos governos na região", ressaltou a diretora da Fitch, citando Brasil, Argentina, Peru e República Dominicana. No caso brasileiro, Shelly destacou que um ponto que será especialmente monitorado é a eficácia do ajuste fiscal. "Vamos olhar como os desafios na política têm impacto na implementação e execução de políticas econômicas."

Shelly ressaltou que a inflação persistentemente em alta colocou em choque a credibilidade do Banco Central do Brasil, com os índices de preços sempre acima da meta da autoridade monetária. Mais recentemente, a inflação no país dá sinais de estar cedendo, ressaltou ela. 

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