Fitch e S&P podem seguir a Moody's em breve, diz analista

Fitch e S&P podem seguir a Moody's em breve, diz analista

Para Flávio Conde, outras duas agências de classificação de risco também vão incluir estatal no grupo das empresas de grau especulativo

André Magnabosco, Agência Estado

25 de fevereiro de 2015 | 10h08

O analista independente Flávio Conde acredita que a Fitch e a Standard & Poor´s (S&P) devem seguir a Moody´s na decisão de rebaixar a Petrobrás e retirar a estatal do grupo de empresas consideradas grau de investimento. Juntas, as três empresas são consideradas as mais importantes agências de classificação de rating do mundo. Em comentário enviado a clientes ontem à noite, após o anúncio da Moody´s, Conde avaliou que as duas outras agências podem seguir o anúncio "em breve".

Ao perder o grau de investimento, a Petrobrás deixará de ser o destino de recursos de investidores cuja carteira é restrita a empresas com tal qualificação. Por isso, Conde acredita que as ações da Petrobrás abrirão o mercado de hoje em forte queda.

O mau humor do mercado em relação à estatal pode afetar também outras empresas do setor de petróleo e de bancos que emprestaram recursos à Petrobrás. "O dólar também pode subir pressionado por um cenário de menor captações da Petrobrás e por tabela de empresas brasileiras e juros iriam atrás", destacou o analista. Os bônus brasileiros e o risco-País brasileiro também devem refletir a preocupação dos investidores internacionais em relação ao Brasil.

O movimento de venda das ações da Petrobrás seria influenciado pela percepção de que a perda de grau de investimento, embora fosse esperada, não ocorreria neste momento. Ontem, as ações da Petrobrás no Brasil e os ADRs norte-americanos apresentaram forte valorização, o que sinaliza que o mercado não aguardava um anúncio de classificação de risco nesta terça-feira, indicou o analista.

Para Conde, a Petrobrás "já estava há algum tempo na zona do rebaixamento da primeira divisão" das grandes empresas mundiais, influenciada pela revelação de escândalos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, e pela elevação no nível de alavancagem. A situação da estatal se agravou diante das denúncias de supostas corrupções envolvendo ex-funcionários, fato em investigação na Operação Lava Jato, e mais recentemente, diante da recusa dos auditores externos em dar aval à publicação do balanço do terceiro trimestre de 2014, o que deveria ocorrer em novembro do ano passado.

Por conta disso, o analista não acredita que a decisão da Moody´s de manter a companhia em revisão para um possível novo rebaixamento tenha influência sobre a atual situação da empresa. "Se haverá novos rebaixamentos é menos importante agora, pois o que interessa é que a Petrobrás saiu da primeira divisão das empresas com crédito no mundo para a segunda divisão onde o risco é bem maior e o custo, naturalmente, também é maior", salientou Conde. 

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