Fitch mantém estável a classificação de risco do País

Agência cita estabilidade da política econômica e setor bancário bem capitalizado como pontos positivos para o País

NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h05

A agência de classificação de risco Fitch reafirmou ontem os ratings de longo prazo em moeda local e estrangeira do Brasil em BBB, com perspectiva estável. O teto país foi mantido em BBB+. Os ratings de curto prazo permaneceram em F2.

Em comunicado, a Fitch afirma que a nota do Brasil leva em conta as fortes métricas do balanço patrimonial externo, o sistema bancário bem capitalizado e o consenso sobre as políticas econômicas.

"A taxa de câmbio flexível do Brasil, os déficits moderados em conta-corrente, a forte entrada de investimentos estrangeiros diretos e o nível robusto das reservas internacionais, de mais de US$ 370 bilhões, fortalecem a capacidade de absorção de choques do País", afirma a agência. "A Fitch espera que os fundamentos do rating do Brasil continuem resilientes às ameaças dos elevados riscos externos."

Por outro lado, pesam contra a economia brasileira fatores como a fragilidade das contas públicas, a alta dívida do governo e o ritmo lento das reformas. Outro fator destacado é o baixo nível de investimento que, ainda abaixo de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), é o menor entre os países Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

A agência aponta que a economia brasileira perdeu um ímpeto considerável nos últimos meses e que essa desaceleração se provou mais profunda do que o anteriormente previsto. Entretanto, a Fitch acredita que o crescimento deve se acelerar de 2,5%, em 2012, para 4,5%, no ano que vem.

Inflação. No relatório que explica os motivos para a manutenção da nota de risco de crédito do País, a agência de classificação de risco afirma que a inflação continua a desacelerar, depois do pico atingido em setembro de 2011. Mas alerta que a autoridade monetária deve ficar atenta à variação de preços e ao consumo interno.

"As pressões inflacionárias podem ressurgir com o fortalecimento da recuperação econômica, o que destaca a necessidade de o banco central permanecer vigilante contra tais riscos, ancorar melhor as expectativas de inflação e manter a credibilidade do seu regime de metas de inflação", diz o texto.

A Fitch destacou ainda que o Banco Central tem cortado agressivamente a taxa básica de juros da economia, a Selic, em meio a um cenário de baixa inflação, elevados níveis de incerteza na economia global e frágil atividade doméstica. "As taxas de juros reais e nominais estão em níveis historicamente baixos. A Fitch acredita que a melhor combinação de políticas fiscais e monetárias terá de ser sustentada para manter os juros baixos." / DOW JONES NEWSWIRES

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