Fitch: nota reflete melhora das contas externa e pública

Ao anunciar a elevação da nota de risco de crédito (rating) do Brasil para grau de investimento, a agência de classificação de risco norte-americana Fitch disse que "a elevação do rating reflete a melhora dramática das contas externas e do setor público do Brasil, que reduziu bastante a vulnerabilidade do País a choques externos e de câmbio e fortaleceram a estabilidade macroeconômica e melhoraram as perspectivas de crescimento para o médio prazo. A agência diz ainda que o governo brasileiro estabeleceu um histórico de compromisso com inflação baixa e um superávit orçamentário primário que dirimiu preocupações anteriores quanto à sustentabilidade fiscal no médio prazo. "Os ratings com grau de investimento do Brasil também são apoiados por sua economia diversificada e com alto valor agregado (o que se reflete em uma renda por habitante que, aos cerca de US$ 7.000, está em linha com a mediana dos países que têm nota grau de investimento), e sua estabilidade política e social relativa", acrescenta."A melhora impressionante nas finanças externas, resultante, em parte dos preços mais altos das matérias-primas (commodities), mas também de boa gestão política, ao lado do status de credor soberano líquido, tornou o Brasil muito mais resistente a choques financeiros globais e aumentou a credibilidade de seu quadro de referência macroeconômico", disse Shelly Shetty, diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch. Ela acrescentou que "um consenso cada vez maior em todo o espectro político quanto às políticas macroeconômicas também reduz o potencial para um afastamento marcante do quadro atual". O comunicado da Fitch prossegue destacando que o Brasil conseguiu ser um credor público líquido externo pela primeira vez graças à "hábil capacidade do governo de administrar o passivo e da significativa acumulação das reservas internacional, que estão em quase US$ 200 bilhões".Banco CentralO quadro político do Brasil ganha crédito e a melhora na estrutura da dívida pública reduziu o "domínio fiscal" das decisões de política monetária ao eliminar largamente a vulnerabilidade do balanço do setor público a choques do câmbio, impulsionando a credibilidade da meta de inflação e a liberdade da política do banco central, diz o comunicado. "O BC não hesitou em recentemente elevar a taxa básica de juros (a Selic) para combater a inflação e ancorar as expectativas de inflação", diz a nota. Além disso, prossegue a Fitch, o governo continua a demonstrar disciplina fiscal ao ter a meta de superávit primário (economia que o governo faz para pagamento de juros da dívida) em 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) mesmo depois da perda de 1,5% do PIB em receita como resultado da falha do Congresso em renovar a CPMF em dezembro de 2007. A nota diz ainda que os resultados fiscais dos quatro primeiros meses de 2008 sugerem que o governo vai cumprir confortavelmente sua meta de superávit primário este ano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.