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Fitch põe PIB do País em observação

Analista da agência vê problemas potenciais no baixo crescimento

Nalu Fernandes, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

O risco mais imediato que a Fitch Ratings está avaliando em relação ao Brasil é o quanto a crise nos mercados afetará o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o o diretor-executivo da agência, Rafael Guedes.Pela Fitch, o conceito do Brasil está em BB+, com perspectiva estável - um grau abaixo do mais alto, o grau de investimento. Para a agência, o PIB brasileiro cresce de 4% a 4,5% ao ano. "Temos de ver como essa perspectiva irá ficar, se teremos ou não de rever nossos cenários", observou Guedes. A razão, segundo ele, é que um dos problemas reiterados do Brasil, além do endividamento, é a falta de crescimento. "Um ambiente mundial mais adverso vai fazer com que o Brasil cresça menos", justificou.Para ele, é necessário ver em que nível o enfraquecimento do PIB, diante da deterioração do ambiente global, afetaria a dinâmica da dívida do País. A piora da tendência do endividamento, embora não seja o cenário básico projetado pela Fitch, poderia ser razão para rever a classificação. Guedes pondera que a agência já olha para o PIB do País como um problema que, para ser resolvido, precisa de reformas. Como exemplo, ele cita o marco regulatório e o nível elevado de gastos do governo federal. "Com endividamento alto, e de curto prazo, se o País não crescer ou crescer modestamente - a taxas de 1% a 2% -, a tendência do endividamento voltar para cima. Seria motivo para rever nota do Brasil." "Potencialmente, o Brasil poderia ter rebaixamento. Será que as reformas não voltariam à pauta? O que seria feito para contrabalançar o menor crescimento?", indaga Guedes. "Uma perspectiva de crescimento de longo prazo reduzida - e provavelmente é o que vai acontecer - é um ponto negativo no rating", pondera, ressalvando que "esse não é o cenário básico" com que trabalha a Fitch. Ele lembra que há cerca de um ano havia críticas ao Banco Central por causa do custo das reservas internacionais. "O País estaria numa situação completamente diferente se as reservas fossem de US$ 30 bilhões, em vez de US$ 160 bilhões. É comparável ao seguro de carro, compra-se tranqüilidade futura", disse ele. Para o executivo da Fitch, a turbulência nos mercados globais terá algum impacto na rolagem da dívida do País, mas o risco é moderado no front externo. Sobre o financiamento externo no período de dois a três anos, ele estima que as necessidades do Brasil, somando governo e setor privado, são de US$ 30 bilhões a US$ 35 bilhões. "O endividamento, comparado ao nível de reservas e ao superávit de conta corrente, não preocupa o investidor", acredita. "Em momento de stress (todos os países) sofrem; a questão é a intensidade. Vai haver algum impacto, mas o risco é moderado". Para Guedes, a necessidade de financiamento do governo é razoavelmente baixa.

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