Fitch prevê pouco impacto sobre o aço brasileiro

A imposição de novas barreiras às importações de aço nos Estados Unidos, que poderá ser anunciada nas próximas semanas pelo presidente George W. Bush, não deverá ter um impacto direto muito negativo sobre as empresas brasileiras do setor. Mas, segundo um relatório da agência de classificação de risco Fitch Ratings, as retaliações ao protecionismo norte-americano, que deverão ser adotadas por países da Europa e Ásia, podem causar sérios problemas para os produtores brasileiros.Em dezembro passado, a Comissão de Comércio Internacional (ITC, na sigla em inglês) concluiu que os produtores de aço norte-americanos foram prejudicados pela importações e recomendou a adoção de um conjunto de tarifas e cotas adicionais, inclusive, pela primeira vez, restrições às importações de placas de aço.Segundo a Fitch, o governo Bush deverá adotar pelo menos algumas das recomendações da ITC devido à tradição norte-americana de proteger a sua indústria, além do cenário negativo da economia e da necessidade de se tentar preservar empregos no setor.Cerca de 30% das exportações de aço brasileiras seguem para os Estados Unidos. "O efeito direto de qualquer nova cota ou tarifa nos Estados Unidos sobre os produtores brasileiros de aço será moderadamente negativo, mas administrável", disse a Fitch.As fabricantes brasileiras de placas de aço - principalmente a Companhia Siderúrgica Tubarão (CST), que exporta para os Estados Unidos - "serão marginalmente afetadas pela esperada imposição de um cota, que ainda assim permitiria a exportação de quantidades limitadas de aço para o mercado norte-americano".Os produtores brasileiros de aço laminado a quente, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), não deverão ser seriamente afetados, pois as restrições já existentes nos Estados Unidos impedem a venda do produto.A Fitch alertou, no entanto, que se os Estados Unidos adotarem as medidas protecionistas, vários outros países deverão promover retaliações através de tarifas e cotas. "Essas ações provavelmente causariam uma onda de restrições comerciais em todo o mundo que afetaria a indústria, as práticas de comércio, geraria excesso de capacidade de produção regional e traria distorções nos preços mundiais do aço".Nesse caso, segundo a agência, os produtores brasileiros seriam negativamente afetados de acordo com a extensão do fechamento dos mercados nos Estados Unidos e em outros países para as importações de aço.A agência salientou que a possibilidade de adoção de novas barreiras comerciais nos Estados Unidos está fazendo com que as companhias brasileiras desacelerem os investimentos para aumentar a sua produção. O Brasil produz cerca de 27 milhões de toneladas de aço - entre 3 e 3,5% da produção mundial.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2002 | 12h00

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