Fitch rebaixa Argentina e Colômbia

A agência de análise de risco Fitch Ratings rebaixou o rating (classificação) de duas emissões - uma da Argentina e outra da Colômbia - que contam com o respaldo do programa de garantia móvel do Banco Mundial. A Fitch rebaixou de "B-" Rating Watch Negative para "CC" Rating Watch Evolving US$ 250 milhões de notes séries "E" e "F", com coupon zero, da Argentina. A agência também rebaixou de "BBB" para "BB+" US$ 750 milhões em notes da Colômbia com garantia móvel do Banco Mundial. A Fitch informou que o rating para a dívida soberana de longo prazo em moeda estrangeira da Argentina permanece em "DDD", enquanto que o rating da dívida soberana de longo prazo em moeda estrangeira da Colômbia continua em "BB". Os rebaixamentos resultam do anúncio feito no dia 15, pelo Banco Mundial, com relação aos termos do reembolso do pagamento de US$ 250 milhões que garantiam as notes de série "D", com coupon zero, da Argentina. Para que a garantia do Banco Mundial seja movida para as notes de série "E", a Argentina teria de reembolsar a instituição dentro de 60 dias. A decisão do Banco Mundial em prorrogar o período para reembolso de 60 dias para 5 anos torna improvável que a garantia seja rolada e efetivamente deixa as notes de séries subseqüentes, "E" e "F", expostas ao risco de default. O status de Rating Watch Evolving reflete que a Argentina pode reembolsar o Banco Mundial dentro do período de carência de 60 dias. Neste caso, o rating das notes série "E" seria elevado para "AAA" e a Fitch faria a revisão das implicaçoes para as notes de série "F".Tecnicamente, o Banco Mundial sempre se reservou ao direito de não cobrar imediatamente o reembolso quando julgar que isso não seja do interesse do tomador de empréstimo ou do banco. O adiamento do reembolso da Argentina não cria um default cruzado para outros empréstimos do Banco Mundial ou coloca em risco futuros desembolsos de empréstimos. Portanto, não há conseqüências negativas para a Argentina em relação ao anúncio. Contudo, a Fitch vê a ação do Banco Mundial como prejudicial ao programa de garantia móvel. A ação do rating da Fitch sobre as notes da Colômbia reflete uma preocupação que se uma dívida soberana está em default, as circunstâncias freqüentemente seriam suficientemente extremas para garantir que o Banco Mundial proporcione tolerância similar sobre o reembolso das garantias. Além disso, essa tolerância criaria um precedente desfavorável que dilui o argumento do credor preferencial em relação as garantias parciais. Embora a recente ação seja específica a Argentina e ao Banco Mundial, a Fitch está preocupada com o valor geral das transações de credor preferencial em todos os países. Especificamente, a Fitch vai observar atentamente as transações envolvendo credores preferenciais tais como IFC - braço do Banco Mundial para financiamento do setor privado - ou a estrutura de empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), onde o halo de credor preferencial tradicionalmente tem permitido o acesso ininterrupto a financiamentos em moeda forte.

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