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Fitch rebaixa Líbia para BBB e coloca rating em revisão negativa

Rebaixamento reflete a erupção do risco político evidenciado pelo crescimento da revolta popular contra o governo de 42 anos de Muamar Kadafi

Regina Cardeal, da Agência Estado,

21 de fevereiro de 2011 | 13h03

A Fitch Ratings rebaixou o rating da Líbia de longo prazo em moeda local e estrangeira de BBB+ para BBB e colocou a nota em revisão negativa. "O rebaixamento reflete a erupção do risco político evidenciado pelo crescimento da revolta popular contra o governo de 42 anos de Muamar Kadafi", afirma Charles Seville, diretor de ratings soberanos da Fitch. A revisão negativa reflete a ampla série de possíveis resultados políticos.

A falta de uma solução política ao conflito e a escalada da violência resultará um novo rebaixamento, diz a agência. Este será o caso especialmente se a produção de petróleo da Líbia for atingida. "Reformas políticas e/ou uma mudança rápida de regime provavelmente não serão tranquilas, dada a falta de um mecanismo para guiar qualquer transição", acrescenta a Fitch, mas ressalta que reformas políticas capazes de acalmar os protestos ajudarão a estabilizar o rating.

O perfil de crédito da Líbia coloca de um lado uma riqueza financeira e de petróleo e, de outro, instituições políticas frágeis e idiossincráticas, segundo a Fitch. O considerável risco político já está incorporado no rating. Sem constituição formal, nunca ficou claro como e a quem o líder líbio - que não tem um posto político formal - passaria o poder, acrescenta a agência. Esta incerteza é amplificada pelas circunstâncias atuais. "Pelo sistema de democracia direta revolucionária presidido por Kadafi, há espaço limitado para dissidência contra o governo, conforme os indicadores de governança do Banco Mundial, que a Fitch utiliza como benchmark."

A Líbia é o único país com rating soberano da Fitch que não tem dívida do governo. Após vários anos de preços elevados do petróleo, a Líbia acumulava ativos soberanos de até US$ 139 bilhões (190% do PIB) no fim de 2009, divididos entre reservas estrangeiras do Banco Central da Líbia e investimentos do governo no fundo soberano (LIA, Libyan Investment Authority), criado em 2007. A solidez do balanço do governo líbio supera substancialmente a da Arábia Saudita (AA-), onde os ativos externos líquidos soberanos equivalem a 130% do PIB.

A Líbia é o sexto maior produtor de petróleo per capita do mundo e tem as maiores reservas de petróleo provadas na África, mas o desempenho de crescimento de longo prazo tem sido fraco desde 1970. O investimento público e as reformas no modelo econômico dominado pelo Estado começaram em meados dos anos 1990, mas não transformaram a riqueza do petróleo em um melhor padrão de vida e em empregos. O desemprego é estimado em 20%, diz a Fitch. As informações são da Dow Jones.

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