Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

Fitch reduz previsão de crescimento para AL neste ano e prevê contração no Brasil

Segundo a agência de classificação de risco, Brasil, Argentina e Venezuela terão taxas de crescimento negativas em 2015

DANIELLE CHAVES, Agência Estado

16 Abril 2015 | 11h49

A agência de classificação de risco Fitch reduziu a previsão de crescimento da América Latina neste ano para 0,5%, de +1,6% previsto em dezembro do ano passado. Para o Brasil, a Fitch projeta contração de 1%, e para Venezuela e Argentina a projeção também é de taxas de crescimento negativas.

"O crescimento mais lento, os preços das commodities mais baixos e as contínuas pressões sobre os gastos podem levar a déficits fiscais em 2015", diz a agência no relatório.

Segundo a Fitch, embora os importadores de commodities da América Central e do Caribe possam se beneficiar dos preços mais baixos por meio da inflação menor, das necessidades de financiamento externo menores e de alguma poupança fiscal, os exportadores da região enfrentarão um enfraquecimento da confiança, dos preços dos ativos, dos déficits fiscais e das dinâmicas externas.

A Fitch destacou que a deterioração dos termos do comércio pesou sobre o desempenho dos déficits em conta corrente nos países exportadores de commodities e pode resultar em fluxos de investimento estrangeiro direto mais baixos adiante. "No entanto, colchões externos mais fortes e depreciações na taxa de câmbio em vários países podem aliviar a transição para o novo ambiente global", observou a agência.

Por outro lado, o aumento da dívida externa do setor privado expõe a região a movimentos cambiais adversos e a custos mais altos de financiamento, de acordo com a Fitch. Além disso, acrescentou, o momento e o ritmo do aperto monetário nos EUA podem ampliar a volatilidade e reduzir os fluxos de capital para a região.

Até agora neste ano a tendência dos ratings soberanos da região classificados pela Fitch tem sido equilibrada, com duas ações positivas (Paraguai foi elevado e a perspectiva da Jamaica passou para positiva) e duas ações negativas (as perspectivas de Brasil e Costa Rica foram revisadas para negativas).

"Olhando adiante, a trajetória para os ratings soberanos dependerá do ponto inicial dos fundamentos de crédito e das respostas políticas para confrontar o novo ambiente", comentou a Fitch.

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