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Fitch se equiparou às demais agências, dizem economistas

Avaliação é que novo rebaixamento não teria muita relação com eventual piora do cenário econômico

Alexa Salomão e Suzana Inhesta, O Estado de S. Paulo

06 de maio de 2016 | 09h15

Para economistas, o novo rebaixamento do rating do Brasil pela Fitch, de BB+ para BB, com perspectiva negativa, foi um movimento da agência para se ajustar às suas rivais, Standard & Poor’s e Moody’s. Não refletiria, por exemplo, uma preocupação com mudanças no cenário econômico do Brasil, apesar de parte dos argumentos para a revisão da nota incluírem essa justificativa. Também não sinalizaria preocupação com a mudança de governo.

A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional, nos Estados Unidos, lembra que a Fitch estava com a nota do Brasil um degrau abaixo do grau de investimento. Com a mudança, a nota agora ficou dois degraus abaixo do grau de investimento, equiparando-se a nota da Standard & Poor’s e da Moody’s. “As agências de risco são assim: vão fazendo ajustes para se equiparar umas as outras”, diz Monica. 

Na avaliação dela, o rebaixamento não reflete a perspectiva de que pode haver piora no cenário, quer seja na conjuntura econômica, quer seja pela eventual troca de governo. No entanto, ela diz que o novo rebaixamento serve de alerta aos otimistas. “Para quem andava no clima de oba-oba, achando que tudo muda da noite para o dia, a Fitch lembra que a situação do Brasil é muito complicada”, afirma Monica. 

Ajuste. O economista-chefe da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio, José Marcio Camargo, concorda que a Fitch fez apenas um ajuste. “Esse movimento foi mais para tirar o atraso. O Brasil, afinal, chegou na situação em que está com o governo atual e não com um próximo”, disse.

Para ele, é mais provável que ocorra um novo ciclo de rebaixamentos se o governo de Dilma Rousseff continuar. Mas, se houver mudanças no comando e forem adotadas novas medidas que melhorem, já de início, as expectativas dos agentes econômicos, as agências podem vir a revisar as perspectivas das notas, que hoje estão negativas.

“Mas isso não ocorrerá neste ano, pois 2016 está dado: teremos uma retração de PIB de 4% e inflação entre 7,5% e 8%. Não há muito o que fazer. Uma reviravolta em 2016 só não é chance zero de acontecer, porque nada tem probabilidade zero, mas a chance de ocorrer é muito pequena”, ressaltou.

Questionado se a equipe econômica que já está sendo montada pelo vice-presidente Michel Temer para seu eventual governo teria forças para reverter as avaliações das agências no ano que vem, Camargo comentou que o nome de Henrique Meirelles para a Fazenda tem credibilidade. “Ele tem experiência, é conhecido pelo mercado. Mas depende também de quem assumirá o Banco Central e o Planejamento”, disse, citando que, se a equipe de Temer implementar rapidamente algumas reformas, como a da Previdência, pode melhorar de imediato as expectativas atuais. 

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