Fitch: superávit menor é ruim para grau de investimento

O diretor-executivo da agência de classificação de risco Fitch Ratings no Brasil, Rafael Guedes, afirmou hoje que, se o governo decidir reduzir o superávit primário em 0,45% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano para compensar em parte a perda da receita de R$ 40 bilhões com a CPMF, como expressou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, em entrevista à edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo, tal notícia "não é um bom sinal" para o País receber a nota (rating) "grau de investimento" da instituição internacional. "Um superávit primário menor significa que, potencialmente, o País demorará mais para atingir o grau de investimento", comentou.Pelo mecanismo do Projeto Piloto de Investimentos Públicos (PPI), o governo pode reduzir o superávit primário em até 0,45% do PIB este ano, o que representaria uma redução do saldo positivo do Orçamento, sem levar em consideração as despesas com juros, da meta de 3,8% para 3,35% do PIB, o que representaria um montante limite de R$ 13,8 bilhões. Para Rafael Guedes, dois fatores são muito relevantes para que um País receba uma nota superior pela agência de rating, como o crescimento do PIB e o tamanho da dívida pública interna. "Mas com um superávit primário menor, o tamanho da dívida em relação ao produto interno tende a diminuir de ritmo (de queda), o que não uma indicação favorável", comentou. Ele também destacou que outro elemento que poderia compensar um menor desempenho do superávit primário seria uma melhora significativa das contas externas. Porém, Guedes avalia que não será fácil para o Brasil melhorar suas contas internacionais, como as transações correntes e as reservas cambiais, numa conjuntura internacional que deve ser marcada em 2008 por uma desaceleração da economia dos EUA.Além disso, o País apresenta uma perspectiva de redução do saldo da balança comercial, especialmente devido, entre outros motivos, ao crescimento vigoroso do PIB, que deve subir 4,5% neste ano, segundo o Banco Central, sobre uma expansão avantajada de 5,2% estimada pelo BC para 2007. "O Brasil apresenta desafios em suas contas públicas para este ano. Não há dúvidas de que uma sinalização melhor nesse sentido seria o corte de despesas, mas o governo parece que está mais inclinado a compensar a perda da CPMF pela recomposição de receitas", afirmou. PerspectivaEmbora não tenha afirmado quando o Brasil poderá receber o grau de investimento, ponderação que nunca é realizada pelas agências de rating, Guedes ressaltou que um atraso de três meses na concessão da nota superior é uma estimativa "otimista".O Brasil recebeu no dia 10 de maio de 2007 a nota BB+ da Fitch Ratings e precisa de apenas uma nota para atingir o primeiro nível da categoria de grau de investimento, que para a agência internacional é BBB-. De acordo com Rafael Guedes, somente 18,3% dos casos de países que estão na categoria duplo B recebem um elevação da nota de risco em 12 meses pela companhia. Esse é um dos fatores que levam muitos analistas internacionais a preverem que o Brasil poderá receber o grau de investimento da empresa somente em 2009.

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