Fitch também coloca nota 'AAA' da França em risco

Agência afirma que medidas adicionais são necessárias para que o país não seja afetado pelo contrágio da crise

PARIS, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2011 | 03h07

A agência de classificação de risco Fitch alertou ontem que, se a crise de dívida da zona do euro levar a uma deterioração econômica muito mais forte, a nota de confiança da França - rating AAA - correrá riscos.

Em comunicado, a Fitch informou que novas medidas fiscais aumentaram a credibilidade do programa de consolidação do governo francês, mas ações adicionais provavelmente ainda são necessárias caso a meta de déficit de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2013 seja perseguida.

Em resposta, o ministro de Finanças da França, François Baroin, descartou os temores do mercado de que a França será o próximo país a se tornar vítima do contágio da crise da dívida soberana da zona do euro, argumentando que o recente pico atingindo pelos prêmios (yields) dos bônus franceses é administrável.

"A evolução das taxas de juros na Europa, onde a Alemanha é uma referência - não tem nenhum impacto sobre a gestão da dívida em um país como o nosso atualmente", afirmou Baroin durante uma conferência em Paris.

Baroin afirmou que os leilões de bônus mais recentes registraram prêmios mais baixos do que os previstos no orçamento de 2012. A França leiloou no início deste mês bônus de 3 meses, pagando 0,5%, enquanto o orçamento de 2012 prevê uma taxa média de 1,5%, declarou o ministro, destacando que o espaço para manobra continua "considerável".

O ministro francês também destacou as condições financeiras vantajosas da França nos mercados de longo prazo. Segundo ele, os bônus de 10 anos pagam remuneração de cerca de 3,5% aos investidores, mas o prêmio médio previsto no orçamento do próximo ano para esses títulos é de 3,7%. Hoje, o prêmio dos bônus de 10 anos da França registrou alta de 12 pontos-base, para 3,64%.

Atuação do BCE. Baroin afirmou que a melhor opção para conter a crise continua sendo a de permitir que o Banco Central Europeu (BCE) intervenha no mercado de dívida. O banco não precisará necessariamente comprar dívida, porque a possibilidade de que ele possa fazê-lo será suficiente para conter a especulação do mercado, acrescentou Baroin.

Ainda assim, o ministro reconheceu que era impossível superar a forte oposição da chanceler alemã, Angela Merkel, ao envolvimento do Banco Central Europeu e admitiu as divergências persistentes entre as duas maiores economias da zona do euro sobre a forma de administrar os problemas que já duram dois anos na região.

"A Alemanha tem 70 anos de memória de risco político decorrente do aumento da inflação e do endividamento", disse Baroin. "Há uma recusa alemã muito forte a deixar o Banco Central Europeu intervir no terreno da monetização, porque isso poderia levar à inflação - embora pensemos que não." / DOW JONES NEWSWIRES

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