Fitch vê risco para Petrobrás assumir novas áreas

Para agência de rating, decisão, que exige pagamento de R$ 15 bilhões, colocará pressão sobre a capacidade de geração de fluxo de caixa da empresa

LUCAS HIRATA, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2014 | 02h04

A decisão do governo de contratar diretamente a Petrobrás para operar os volumes excedentes da cessão onerosa deverá colocar pressão sobre a capacidade de geração de fluxo de caixa da empresa e pode enfraquecer sua qualidade de crédito autônoma, disse a agência de classificação de riscos Fitch em nota distribuída ontem.

A decisão do governo exige pagamento R$ 2 bilhões em bônus para o governo em 2014 e antecipação de R$ 13 bilhões em lucros para o governo entre 2015 e 2018, de forma significativa, antes que o óleo seja produzido nas áreas atribuídas, ressaltou a agência. "Estes pagamentos devem colocar uma carga adicional sobre o fluxo de caixa livre já negativo da Petrobrás resultante de seu programa de investimentos agressivo", diz o comunicado.

De acordo com a agência, esses pagamentos, junto com perdas esperadas em "downstream" (atividades de refino do petróleo, tratamento do gás natural, transporte e comercialização de derivados) para este ano e com um crescimento moderado da produção em 2014, devem ter impacto negativo na geração interna de fluxo de caixa da empresa e aumentar a dependência de crédito.

A Fitch estimava, no início do ano, que a necessidade de crédito da Petrobrás ficaria em torno de US$ 15 bilhões no médio prazo. Contudo, os desdobramentos recentes devem aumentar a necessidade da empresa de financiamento externo.

"Os fatores que podem resultar em uma ação negativa nos ratings da Petrobrás, independentemente de um downgrade soberano, incluem a percepção de uma relação menor entre a Petrobrás e o governo, junto com um enfraquecimento sustentado das métricas de crédito autônomas (stand-alone). Fatores qualitativos que podem pressionar os ratings da Petrobrás incluem aumento sustentado da alavancagem para a relação dívida total/Ebitda de mais de 5 vezes. Além disso, a falta de acesso ao mercado de capitais para financiar o fluxo de caixa livre negativo seria prejudicial, assim como a incapacidade de aumentar a produção no médio prazo", afirmou a agência.

Prorrogação. Em meio à desconfiança com o anúncio da contratação direta da Petrobrás para produzir os volumes excedentes da cessão onerosa, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) decidiu prorrogar o período exploratório numa das áreas, o Entorno de Iara. A decisão foi tomada em reunião de diretoria da reguladora, no dia 11.

De acordo com a decisão, a Fase Exploratória do bloco 4, chamado de Entorno de Iara, do contrato de cessão onerosa foi prorrogado por 118 dias, cerca de quatro meses, a partir de setembro. Com a decisão, o prazo para declaração de comercialidade do bloco foi adiado para 31 de dezembro deste ano. / COLABOROU ANTONIO PITA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.