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‘Fizemos uma cidade onde nada havia’, diz presidente da Tamboré S/A

Arthur Castilho recebe homenagem como ganhador do prêmio Destaque do mercado imobiliário

João Carlos Moreira, Especial para o Estado

17 de junho de 2015 | 12h45

Arthur Castilho aparece em todas as listas dos maiores empreendedores imobiliários do Brasil, resultado do trabalho bem-sucedido à frente da Tamboré S/A Desenvolvimento Urbano. Esse sucesso pode levar a crer que se trata de alguém talhado desde sempre para o setor, aquele que desde o berço foi preparado para construir uma cidade a partir do nada. Mas esse não é o caso de Castilho, hoje com 80 anos.

O homenageado do Estado com o prêmio Destaque do Mercado Imobiliário aprendeu a tarefa na prática, ao perceber a oportunidade de criar, numa vasta área na região oeste da Grande São Paulo, um empreendimento que oferece conforto aos moradores, aliado a segurança, bem-estar e contato com a natureza.

Foi assim que surgiram os residenciais e centros empresariais Tamboré nas cidades de Barueri e Santana de Parnaíba, nas extensas áreas verdes que Castilho conhecia desde o início dos anos de 1960. Recém-saído das faculdades de direito e economia, Castilho trabalhava num escritório de advocacia em São Paulo quando se casou com Ana Maria, uma das herdeiras da família Álvares Penteado, que desde o século 18 detinha extensas terras na região.

Como o sogro, Honório Álvares Penteado, não tinha experiência em negócios, Castilho passou a ajudá-lo na administração das propriedades da família, aprendendo no dia a dia a lidar com as dificuldades de uma região que vivia transformações importantes.

Rodovia. “Em 1966, o governo do Estado começou a construir uma estrada na nossa propriedade, que viria a ser a Castello Branco. Estava viajando e recebi ligação do meu sogro, preocupado. Eu disse: ‘Deixa construir’. Tínhamos que ver o que ia dar”, afirma Castilho com seu bom humor constante. 

Na época, ele decidiu adquirir os lotes que estavam nas mãos de posseiros e tomou a dianteira das questões relacionadas às propriedades da família. A Tamboré já havia sido criada por Castilho e pelo sogro no início da década e fazia negócios como a venda de lotes para o Instituto Brasileiro do Café (IBC) construir armazéns.

A decisão de partir para empreendimentos imobiliários surgiu por volta de 1973, quando Castilho tomou conhecimento da construção do centro empresarial de Alphaville na mesma região, em terras que pertenciam a outros parentes da família Álvares Penteado.

Castilho tinha contato com os donos da Construtora Albuquerque Takaoka, responsável pela obra. O primeiro passo foi o início das obras do Centro Empresarial Tamboré, concluídas em 1981, totalizando 1 milhão de m² de área urbanizada, com infraestrutura para atender lotes comerciais e empresariais de 1 mil m² a 25 mil m².

Liderada por Castilho, a Tamboré passou a colecionar sucessos a cada lançamento. O residencial Tamboré 1 surgiu em 1988, com 710 lotes de 1 mil m² e 3 mil m². “Já havia na época uma procura por moradia fora de São Paulo, em local mais tranquilo, com qualidade de vida e segurança”, afirma Castilho, referindo-se à busca pelas chamadas edge cities, as cidades de contorno já conhecidas principalmente nos Estados Unidos.

De olho no público-alvo, Castilho optou por oferecer lotes maiores do que os encontrados na concorrência. Ele credita parte do sucesso a essa opção, além da busca constante pela qualidade de cada lote.

Outro ponto favorável, na opinião do homenageado pelo Top Imobiliário, foi o modelo de negócio adotado pela Tamboré em todos os empreendimentos. “Não recorria a nenhum empréstimo para construir os lotes e só os vendia quando estavam prontos”, diz. 

Sem bancos. “Como nunca gostei de dever para bancos, usava o dinheiro de um empreendimento para custear o seguinte, sem precisar de empréstimos.”

Foi com essa postura que a Tamboré passou a inaugurar sucessivos condomínios com sua marca, inclusive os de casas - como o Tamboré 4 Villagio - e o Shopping Center Tamboré, inaugurado em 1992.

Hoje, os empreendimentos do grupo em Barueri e Santana de Parnaíba totalizam 15 milhões de m².

“Fizemos uma cidade onde antes não havia nada”, diz Castilho, orgulhoso de suas realizações. “Fizemos tudo: abrimos as ruas, construímos as casas, organizamos coleta de lixo, de esgoto. Tudo feito por nós”, conta. Sobre o risco de fracasso, Castilho faz pouco caso. “Claro que não havia 100% de certeza de sucesso, mas sabia que estávamos no caminho certo”, diz.

Hoje, os moradores encontram mais facilidades. “Nos anos 1960, para chegar às nossas terras, saíamos de São Paulo de carro e, depois, do Butantã, era só estrada de terra até Carapicuíba, onde pegávamos uma balsa pelo Tietê”, lembra, brincando que hoje está mais fácil chegar lá, apesar do trânsito.

Afastado do dia a dia dos negócios desde 2000, Castilho ainda ocupa a presidência do grupo, mas mantém o filho, Fábio Penteado Rodrigues, como superintendente. Além de Fábio, Castilho tem a filha Monique, que já trabalhou na Tamboré. Outro filho, Marcos Penteado Rodrigues, morreu em 1988. Com mais tempo livre após se afastar do trabalho diário, Castilho se dedica às viagens ao exterior de que tanto gosta e à leitura, outro hábito que lhe dá prazer.

A situação do mercado imobiliário é vista com preocupação. Segundo Castilho, a falta de recursos para financiamento de imóveis já afeta o setor, mas a crise econômica, na sua avaliação, prejudica o País inteiro. 

“A situação é complicada, e não só a imobiliária”, afirma. Ele estima que o período mais agudo da crise dure pelo menos dois anos.

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