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Fleury avança no Nordeste com compra de laboratório pernambucano 

Rede de diagnósticos, também dona da marca A+, pagará R$ 384,5 milhões pelo Laboratório Marcelo Magalhães; é uma das maiores aquisições do grupo

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2021 | 08h20
Atualizado 19 de outubro de 2021 | 10h27

Acelerando sua estratégia de crescimento por meio de aquisições, a rede de laboratórios Fleury levou o Laboratório Marcelo Magalhães, de Pernambuco, por R$ 384,5 milhões.  Essa é a segunda maior aquisição da história do grupo, que mostrou que mantém apetite em crescer no seu negócio chave, o de medicina diagnóstica, apesar de estar tateando, em paralelo, novos negócios.  Em cinco anos essa é a 13.ª aquisição do grupo, que segue analisando novas oportunidades.

Agora, com a aquisição da empresa pernambucana de 64 anos, o Fleury coloca no portfólio mais 13 unidades de atendimento, aumentando sua presença no Nordeste. Após a conclusão da operação, que ainda precisa de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), passará a ter 31 unidades apenas na região metropolitana de Recife. Em Pernambuco, a empresa já atua com as marcas a+ Medicina Diagnóstica e com a Diagmax, marca comprada recentemente no Estado.

Em toda a Região do Nordeste, o Fleury possui 71 unidades de atendimento, o que responde por 25% das 280 unidades pelo País, mas ainda existe uma concentração no Rio de Janeiro e São Paulo, onde estão 55% da rede.  “Olhamos o Brasil inteiro com possibilidades de aquisições, mas com muita disciplina, para ativos que podem agregar sinergias e de marcas que tenham um relacionamento forte com os clientes e médicos”, afirma a presidente do Grupo Fleury, Jeane Tsuisui.

“O mercado de medicina diagnóstica é muito fragmentado e temos uma fortaleza a nosso favor, que é o reconhecimento de qualidade junto à comunidade médica e olhamos ativos que têm essa aderência ao nosso modelo”, comenta a executiva. Essa é uma das razões que explicam o interesse nos Laboratórios Marcelo Magalhães, cuja marca é bastante conhecida em Pernambuco, diz.

A aquisição veio depois de o Fleury ter mostrado interesse na Alliar, dona do laboratório CDB.  Segundo uma fonte que acompanha essa transação, a aquisição anunciada nesta segunda-feira, 18, não interfere no apetite na Alliar, empresa listada na Bolsa e que possui um valor de mercado de R$ 1,5 bilhão. O Fleury é bem maior e vale R$ 6,8 bilhões.

Para a presidente do Fleury, a estratégia é de exatamente seguir crescimento no seu principal negócio, diante do fato que é fundamental para o cuidado da saúde a presença física. Mas os planos são maiores e a ideia é seguir para outros elos da chamada “jornada de saúde do cliente”, o que inclui a entrada em novos nichos e também um olhar para a transformação digital. Essa foi mudança rápida que o setor passou ao longo da pandemia, com a telemedicina se tornando uma realidade, por exemplo.

No mercado, analistas apontaram que a empresa terá que mostrar quais serão os ganhos com a aquisição. A leitura do analista do Credit Suisse Maurício Cepeda, por exemplo, é de que, a princípio, o Fleury está pagando caro pela aquisição e que o valor apenas se justificaria se as sinergias forem “significativas”.  

O diretor financeiro do Fleury, José Antonio Filippo, afirma que as sinérgicas são relevantes e serão plenamente capturadas até 2024.  A ação do Fleury, que chegou a cair no início do dia, inverteu e fechou o pregão com alta de  0,88%.

Apetite constante

O setor de saúde tem sido um dos mais atuantes no Brasil em movimentos de consolidação, atividade que acelerou desde o ano passado e já observado nos principais grupos do País. Há seis anos o Fleury já tinha anunciado que seu crescimento ocorreria tanto por meio da abertura de novas unidades, quanto por aquisições. Desde 2016 incorporou, por aquisições 72 unidades, com seis diferentes marcas, sendo metade em regiões em que ainda não atuava, ao passo que abriu 55 unidades das suas marcas.  Ao todo o grupo possui 280 unidades espalhadas pelo País.

Em junho o Fleury anunciou a compra dos laboratórios Pretti e Bioclínico, por R$ 315 milhões, movimento que marcou sua entrada no Espírito Santo.  Além dessas aquisições, o Fleury anunciou a compra da Vita, focada em consultas e cirurgias ortopédicas. Também concluiu as aquisições da Clínica de Olhos Dr. Moacir Cunha e do Centro de Infusões Pacaembu. Com essas duas aquisições a companhia ingressou em dois segmentos que ainda não atuava.

Em sua história, a maior aquisição do Fleury foi a da Lab's, do Rio de Janeiro, e que pertencia à Rede D'Or, a dona dos hospitais São Luiz, por R$ 1,1 bilhão, operação concluída em 2011.

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