Flex herdou passivo de R$ 7 bi

Empresa assumiu dívidas da Varig há um ano e três meses

, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

A Flex, como ficou conhecida a companhia que herdou o passivo de cerca de R$ 7 bilhões da Varig, completa um ano e três meses de operações com uma dívida de R$ 4,5 milhões, segundo o último relatório mensal da empresa, de abril. Desde que fez seu voo inaugural, em junho de 2008, ela convive com a dificuldade de equilibrar sua receita com os gastos. Os dados mais recentes de sua situação financeira apontam para pagamentos atrasados de R$ 5,9 milhões e saldo em caixa de R$ 1,4 milhão. O relatório de abril da Flex alerta que ela só teria dinheiro para manter sua operação até o dia 8 de maio. Mas a empresa conseguiu obter R$ 2 milhões de depósitos recursais no Banco do Brasil e Caixa. São recursos que a companhia teve de depositar em juízo em ações nas quais era ré. Ao todo, estima-se que são R$ 10 milhões de recursos dessa natureza. Não é a primeira vez que a companhia fixa uma data para cogitar fechar as portas e depois consegue alavancar recursos. A sobrevivência da Flex é fundamental para o cumprimento do plano de recuperação judicial e para o acerto de contas entre o que o governo cobra da Varig antiga e o que a companhia reivindica por perdas com o congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90. A falência da empresa representaria o fim do acordo que está sendo costurado pela Advocacia Geral da União (AGU) para o pagamento da indenização.Mesmo que o dinheiro da ação de defasagem tarifária seja pago, a Flex ainda vai ter dificuldades financeiras. "Eu acho difícil que sobre dinheiro para a Flex. Os recursos serão consumidos com o crédito do Aerus e o restante vai ser rateado entre os demais credores. E tem o porcentual de 20% do Fisco. Então, acho que dificilmente vai sobrar alguma coisa para a Flex", afirma o advogado da companhia, José Alexandre Meyer. Conforme o relatório de abril, a Flex estava há cinco meses sem pagar a Receita Federal por meio do Parcelamento Excepcional (Paex), totalizando um débito de R$ 3,7 milhões, além de outros débitos, como um de R$ 471 mil do leasing de sua única aeronave."Eu acho prematuro dizer que não vai sobrar dinheiro. Isso vai depender do acordo que vai ser celebrado com a União", afirma o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 1ª Vara Empresarial, responsável pelo monitoramento da recuperação judicial da Flex.

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