Aline Torres | ESTADAO CONTEUDO
Aline Torres | ESTADAO CONTEUDO

Florianópolis recebe número recorde de turistas argentinos

Desvalorização do real atrai turistas do país vizinho; é a maior temporada dos últimos dez anos, diz cônsul

Aline Torres, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2016 | 03h00

FLORIANÓPOLIS - Há anos as praias do norte de Florianópolis são redutos de argentinos. Em hotéis, pousadas, bares e restaurantes de bairros como Canasvieiras e Ingleses o espanhol é tão comum quanto o português. Mas, na última quinta-feira, o idioma estrangeiro invadiu o Mercado Público, o prédio histórico mais atrativo do centro da capital catarinense.

A chuva levou os “hermanos” às compras. E eles não pouparam. Camille Reis, 23 anos, funcionária de um dos boxes, vendeu em uma semana todas as alpargatas estocadas para o verão. A turista Paula Martinez, 44 anos, afirma que as mercadorias brasileiras são muito acessíveis. Ela e o marido, Gustavo Crocitta, 43 anos, vieram de Buenos Aires para passar 15 dias na cidade. Estão hospedados na Cachoeira do Bom Jesus, no norte da ilha. O casal está satisfeito com os preços em relação aos cobrados na Argentina.

“Os produtos em nossas praias são muito caros. Dependendo da região, um sanduíche com suco custa US$ 30. E o atendimento turístico não é bom”, disse Gustavo. “Sem contar que as praias são de águas muito geladas e escuras, assim como a areia”, emendou Paula.

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Santa Catarina estima que 8,5 milhões de turistas tenham passado pelo Estado desde dezembro, durante a temporada de férias. Destes, 80% são do país vizinho.

A vinda dos argentinos é explicada pela alta do dólar e o fim do impedimento do câmbio no país. Paula e Gustavo explicaram que, no verão de 2015, ainda não era vantajoso viajar para o Brasil. Mas as mudanças no câmbio mudaram essa realidade.

Alta. A Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) divulgou que essa é uma temporada recorde de turistas estrangeiros no País. O aumento foi de 20% comparado à temporada anterior, sendo que metade deles procura Santa Catarina como destino.

Agustina Bujan, de 20 anos, sonhava em conhecer o Brasil e aproveitou o câmbio. Natural de Buenos Aires, ela está hospedada com oito amigos na Armação, praia localizada no sul de Florianópolis. Região com praias mais isoladas, alternativa dos moradores locais que buscam mais sossego, recebeu uma onda de argentinos, o que não acontecia desde 2000. Outras cidades do litoral catarinense procuradas pelos “hermanos” são Balneário Camboriú, Itapema e Garopaba.

O cônsul da Argentina em Florianópolis, Octavio La Croce, disse que essa é a “maior temporada dos últimos dez anos” para os conterrâneos. Gabriela Ortega, de 34 anos, concorda. Na última vez que havia visitado Florianópolis, estava grávida de Victoria, que completou seis anos no mês passado. Desta vez, sua família se hospedou em Ingleses, na região norte da cidade, para 15 dias de férias, e não precisaram economizar. Victoria comprou duas bonecas do artesanato ilhéu e levou uma terceira para uma prima. Gabriela comprou roupas de marca para fazer ginástica. Ela vive na Província de Salta, onde diz que os preços dos mesmos produtos estão 50% mais altos.

O turismo em Florianópolis deve se manter ativo até o fim de abril, quando a temperatura começa a cair e as chuvas ficam mais frequentes.

 

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