Flutuação gera corrida às casas de câmbio na Argentina

A livre flutuação do câmbio, que pode entrar em vigor já na próxima semana, levou os argentinos a se aglomerarem, a exemplo do que ocorre no primeiro dia da desvalorização do peso (3 de janeiro), na frente dos bancos e das casa de câmbio em busca de dólares. A taxa de câmbio, que ontem já havia subido para 1,90 peso por dólar, voltou a mostrar nova volatilidade e chegou a 2,05 pesos. "A estabilidade da moeda norte-americana em patamar menor a esse dependerá do Banco Central, caso contrário o câmbio pode disparar", disse à Agência Estado o diretor de um banco estrangeiro importante instalado na Argentina. Até esta quinta-feira, o BC vinha leiloando dois lotes de US$ 500 mil para cada instituição financeira, com os quais conseguiu controlar uma eventual disparada do câmbio. Mas, explicou essa fonte, por telefone de Buenos Aires, "começou a haver muita pressão do público por medo da flutuação e pela falta de confiança no governo". De acordo com esse executivo, na insegurança o argentino acaba correndo atrás de dólares. Flutuação suja "Tenho recebido incansáveis telefonemas de particulares (pessoas), de empresas e até de amigos solicitando uma maior quantidade de divisa norte-americana", afirmou essa fonte. O BCRA tem leiloado aos bancos a 1,65 peso por dólar, os quais só podem vender a 1,70, com ganho de 5 centavos por dólar. Mas algumas instituições financeiras vendem recursos próprios e, com isso, o dólar passa a ser vendido a uma cotação muito mais alta. Em declarações a uma rádio argentina, logo cedo, o diretor do Banco Central da República Argentina (BCRA), Aldo Pignanelli, confirmou que o dólar começaria a flutuar já na próxima semana, depois do anúncio, neste sábado, de novas medidas econômicas. Pignanelli informou ainda que a flutuação do câmbio seria "suja". Isto é, com intervenções do BC no mercado sempre que necessário para manter o dólar em um valor e patamar "razoáveis".O diretor do BC argentino indicou ainda que a equipe econômica vem estudando formas de "ajudar" as pessoas com dívidas acima de US$ 100 mil logo depois que a pesificação total da economia entrar em vigor. Ele disse que poderá ser implementado um mecanismo que permitirá a realização de transações, entre elas as imobiliárias e a compra de bens duráveis, com certificados referentes aos depósitos a prazo fixo.Também em entrevista a uma rádio, o presidente Eduardo Duhalde assegurou que as medidas a serem anunciadas sábado não devem agradar gregos e troianos. "Nem todos vão ficar felizes e contentes, mas os que vão pagar mais serão os que mais se beneficiaram com o modelo anterior (conversibilidade), que foi enriquecendo poucos", afirmou o presidente, que vem sendo pressionado pela classe média, principalmente, a chamar a novas eleições presidenciais."Ninguém pode pretender que se satisfaça todo mundo, sem prescindir de alguma coisa. Não podem prejudicar a Argentina com reivindicações que interessam apenas a poucos", afirmou Duhalde à Rádio Nacional, de Buenos Aires. O presidente descartou qualquer possibilidade de convocar eleições presidenciais antecipadas. Ele disse que apóia qualquer processo eleitoral, porém, de forma ordenada, evitando o caos e o derramamento de sangue. "A ordem não se consegue com tanques, baionetas e bombas molotov." Leia o especial

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