Flutuação na Argentina cumpre exigência do FMI

O governo argentino decidiu adotar a flutuação imediata e total da taxa câmbio. A medida cumpre uma das principais exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) para dar início às negociações de um socorro financeiro pleiteado pela Argentina. Entretanto, expõe a equipe econômica, logo nos próximos dias, ao desafio de segurar a elevação brusca do valor do dólar por meio da injeção da moeda americana no mercado de câmbio. A expectativa é que, diante dessa situação, o Fundo autorize o rápido envio de parcelas de recursos dos acordos anteriores, como forma de reforçar as reservas internacionais do país. A decisão de acabar com a política de câmbio duplo e de flutuar plenamente a moeda constaria do pacote econômico reelaborado pelo governo nos últimos dois dias. Em princípio, a equipe econômica trabalha com a possibilidade de a taxa de câmbio superar 3,0 pesos por dólar, para a venda, nos primeiros dias. Na semana passada, a corrida da população aos bancos e casas de câmbio elevou a cotação a 2,15 pesos por dólar. Essa proporção não foi maior porque o Banco Central interveio agressivamente. A equipe de Remes Lenicov trabalha com a perspectiva de que a taxa de câmbio venha a se estabilizar, depois de um período ainda indefinido, abaixo dos 2,0 pesos por dólar. Uma das alternativas em estudo para reforçar as reservas internacionais seria a antecipação do fechamento de câmbio de exportações futuras de grãos, que estão sendo colhidos. Geralmente, essas operações são feitas por multinacionais que, segundo fontes do governo, teriam condições de adiantar a troca dos dólares relativos a essas vendas externas por pesos. Essa medida seria apresentada aos setores exportadores como uma contrapartida ao ganho de competitividade permitido pela flutuação do câmbio ; e a consequente desvalorização mais acentuada.

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