Fluxo amortece, mas dólar fecha em alta por exterior

O dólar fechou em leve alta ante o real nesta sexta-feira, em linha com o ambiente de maior aversão a risco no exterior, num dia marcado pela falta de notícias.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

20 de agosto de 2010 | 17h40

Mas a moeda terminou distante da máxima do dia, refletindo fluxos pontuais no início da tarde e algum alívio nas bolsas de valores e no euro.

No fechamento, a divisa subiu 0,17 por cento, a 1,760 real na venda, depois de avançar 0,46 por cento pela manhã. Na semana, contudo, a cotação acumulou baixa de 0,68 por cento, mas no ano sustenta valorização de 0,98 por cento.

"O dia está bem parado hoje. O clima ruim lá fora fez o dólar subir aqui, mas a falta de notícias de alguma forma manteve o mercado lateral", disse Rodrigo Nassar, gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor Corretora.

A agenda desta sessão era reduzida em todo o mundo. A maior aversão a risco no exterior ainda era justificada por dados macroeconômicos divulgados na véspera que apontaram novos sinais de fraqueza na economia norte-americana.

Comentários do membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE), Axel Weber, também não ajudaram. Weber afirmou que o BCE deveria intensificar sua política expansionista, endossando temores de mais fraqueza na zona do euro.

A fala de Weber chegou a derrubar a moeda única à mínima ante o dólar desde meados de julho, levando a divisa norte-americana ao pico em um mês frente a uma cesta de moedas.

Mas o euro reduzia as perdas no final da tarde, acompanhando a modesta melhora nas bolsas de valores em Nova York.

"Teve fluxo após o almoço e isso também ajudou o dólar a diminuir a alta", acrescentou Nassar.

Olhando mais à frente, o operador José Carlos Amado, da Corretora Renascença, aposta na queda da taxa de câmbio, em meio às contínuas perspectivas de ingressos de recursos.

"Nosso mercado (de câmbio) ainda está muito pesado (vendido). Até mesmo as incertezas com a Petrobras se acomodaram e isso aponta um dólar para baixo", afirmou.

No Rio de Janeiro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a capitalização da petrolífera está avançando dentro do prazo previsto e deverá ocorrer mesmo em setembro .

"Apesar do viés de queda, o suporte psicológico em 1,75 (real) também não deixa o dólar ir muito mais para baixo", acrescentou Amado.

Em relatório, analistas do BNP Paribas avaliaram que "ou o mercado melhora decisivamente para ativos de risco, tornando o nível de 1,75 real não relevante (não muito provável) ou o real vai continuar preso a um intervalo muito restrito".

(Reportagem adicional de Samantha Pearson)

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