Fluxo cambial de 2012 fez uma advertência séria

Não são apenas os investimentos que o governo brasileiro não sabe administrar, mas também a política de balanço de pagamentos deveria procurar obter maiores entradas de recursos externos de boa qualidade, para que o saldo cambial não suscite apreensão sobre a evolução das contas externas.

O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2013 | 02h02

Em 2012, o saldo cambial caiu 74% e foi o menor em quatro anos, enquanto o governo mudava sua política de forma infeliz. Em março, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso violento contra os países do Primeiro Mundo, cuja política antirrecessão exportava para os países emergentes um verdadeiro tsunami de capitais, que os obrigava a se protegerem deste excesso de liquidez. Alguns meses depois, o governo voltava atrás para acolher esses capitais, absolutamente necessários para compensar o déficit em transações correntes do balanço de pagamentos.

Mas o fato é que, no acumulado do ano, o fluxo cambial registrou entrada líquida de US$ 16,753 bilhões, ante US$ 65,279 bilhões em 2011. O fluxo comercial ficou positivo em US$ 8,373 bilhões, ante US$ 43,950 bilhões em 2011, enquanto o fluxo financeiro ficou positivo em US$ 8,380 bilhões, ante US$ 21,329 bilhões no ano anterior.

Com receio de um fluxo financeiro excessivo, as autoridades monetárias tomaram uma série de medidas para conter o aporte de capitais do exterior, tais como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o pagamento de IOF sobre gastos no exterior. Reduziram, no entanto, a tributação sobre as entradas de capitais na segunda parte do ano. Pelo menos resistiram quanto a tributar o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que teve um ligeiro recuo no ano passado, muito mais sensível no caso dos investimentos na Bolsa de Valores.

Houve, ainda, um recuo na captação externa, embora as empresas tenham recorrido mais ao mercado externo do que no ano anterior, o que pode se traduzir, daqui a dois anos, em alguns problemas. Algumas vezes, porém, essas captações foram utilizadas no exterior, e não entraram no País para financiar projetos. As remessas de lucros e dividendos foram sensivelmente iguais às do ano anterior, que já eram bastante elevadas, mas o pagamento de serviços foi superior.

Apesar dos erros do governo, o ano de 2012 foi favorável para os investimentos estrangeiros. Podemos verificar, no entanto, que o equilíbrio das contas externas do Brasil depende muito da continuidade desses investimentos, que poderão se afastar do Brasil por causa de falta de confiança na política econômica.

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