Fluxo cambial dispara e permite ajuste de bancos

A entrada de capitais no país disparou a mais de 10 bilhões de dólares neste mês, permitindo que os bancos se ajustassem às novas exigências do Banco Central (BC) sobre as posições vendidas das instituições financeiras.

REUTERS

20 de julho de 2011 | 13h17

O fluxo cambial ficou positivo em 10,132 bilhões de dólares em julho até o dia 15, informou o BC nesta quarta-feira. Mais de dois terços desse montante, ou 7,358 bilhões de dólares, entraram somente no dia 11, primeiro dia após o anúncio das novas regras da autoridade monetária. Em julho, até o dia 8, o fluxo estava positivo em 1,521 bilhão de dólares.

O BC ampliou o recolhimento dos depósitos compulsórios sobre a posição vendida dos bancos que exceda 1 bilhão de dólares, ou que seja superior ao seu patrimônio de referência. Desde abril, esse compulsório era recolhido sobre posição superior a 3 bilhões de dólares.

A medida passou a valer nesta segunda-feira, mas os bancos aproveitaram a semana passada para fazer os ajustes.

As novas exigências reduziram a liquidez para posições vendidas de investidores estrangeiros no mercado futuro, uma das principais fontes de pressão pela queda do dólar. O governo tenta frear a valorização do real para proteger a indústria local e preservar as exportações do país.

"Parece até que a medida foi tomada com pleno conhecimento de que teria entrada", disse diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme. "É uma entrada inusitada."

O gerente de derivativos de uma das principais corretoras no país, que preferiu não ser identificado, afirmou que empresas "de primeira linha" repatriaram capital naquela ocasião.

O BC não intensificou a compra de dólares no mercado mesmo com a entrada expressiva de capitais, permitindo que as divisas reduzissem a posição vendida das instituições financeiras. Até 15 de julho, o BC incorporou 2,484 bilhões de dólares às reservas por meio de leilões no mercado à vista.

A corretora BGC Liquidez, em relatório, estima que as posições tenham diminuído de 14,7 bilhões de dólares no fim de junho para 6,97 bilhões de dólares na sexta passada.

Entre 1o e 15 de julho, houve superávit de 6,887 bilhões de dólares nas operações financeiras e de 3,245 bilhões de dólares nas operações comerciais.

No ano, o fluxo positivo soma 49,965 bilhões de dólares.

(Reportagem de Silvio Cascione)

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