Fluxo cambial é negativo em US$ 1 bi em agosto até 21

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse nesta quinta-feira que o fluxo cambial registra saída líquida de US$ 1,069 bilhão no mês de agosto até o dia 21. Segundo ele, a saída de recursos continua sendo liderada pelo segmento comercial, que registra fluxo líquido negativo de US$ 931 milhões no mês até dia 21. Esse valor é resultado de importações de US$ 11,352 bilhões, montante superior às exportações de US$ 10,420 bilhões registradas no período.

EDUARDO CUCOLO E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

23 de agosto de 2012 | 12h54

No segmento financeiro, o mês também registra saída líquida, mas em ritmo menor: de US$ 138 milhões até o dia 21. Nessa cifra, estão registradas operações de câmbio para a compra e venda de ações, empréstimos, investimentos produtivos e remessas de lucros, entre outras. No mês, foram registradas saídas totais de US$ 14,789 bilhões e ingressos de US$ 14,649 bilhões. Os dados parciais também mostram déficit com viagens de US$ 895 milhões até dia 21.

Desaceleração nas remessas - Em relação ao mês de julho, Maciel destacou que a dinâmica da remessa de lucros e dividendos mudou. "Efetivamente, a remessa se mostra mais fraca que no ano passado", disse.

De acordo com Maciel, isso pode ser atribuído a três fatores. O primeiro deles é a desaceleração da atividade econômica no Brasil. "Fato que pode ser observado desde o fim de 2011 e no início de 2012", disse. O segundo fator é a taxa de câmbio mais elevada, que torna a conversão do lucro em reais para um valor em moeda estrangeira menos vantajosa. Há um ano, lembra Maciel, um dólar custava menos de R$ 1,60. Hoje, está acima de R$ 2,00. "Houve um aumento significativo de 25%", disse.

Há, ainda, um terceiro fator: o aumento do ingresso de lucros de empresas brasileiras no exterior. Como o resultado da remessa de lucros é líquido, a entrada desse dinheiro também influencia e ajuda a reduzir o saldo nas transferências. "Houve aumento do capital brasileiro no exterior. É natural que houvesse aumento desses ingressos", disse Maciel.

De janeiro a julho, companhias brasileiras instaladas no exterior enviaram US$ 4,069 bilhões às sedes no Brasil. Em igual período do ano passado, o valor era de US$ 819 milhões. Já as multinacionais instaladas no Brasil enviaram US$ 11,700 bilhões no acumulado de janeiro a julho, menos que os US$ 20,590 bilhões registrados em igual período de 2011.

O chefe do departamento econômico do BC disse também que houve queda no envio de dinheiro de imigrantes brasileiros que moram no exterior para o País, puxada pelo fluxo menor de recursos vindos, principalmente, da Europa. Já as remessas com origem nos EUA e no Japão cresceram no acumulado de janeiro a julho em relação aos mesmos meses do ano passado.

Dados do BC mostram que as remessas dos EUA passaram de US$ 339 milhões para US$ 405 milhões nessa comparação. Do Japão, subiram de US$ 225 milhões para US$ 230 milhões. Em relação aos demais países, caíram de US$ 665 milhões para US$ 550 milhões. "A queda nas receitas vem desses demais países, sendo que a concentração maior é de países europeus", afirmou Maciel.

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