Fluxo cambial é positivo em US$ 1,035 bi na 2ª semana de setembro

Uma semana antes, o BC havia registrado um fluxo cambial negativo de US$ 575 milhões 

Eduardo Cucolo, Silvana Rocha e Olívia Bulla, da Agência Estado,

19 de setembro de 2012 | 16h36

BRASÍLIA - A entrada de dólares no País voltou a superar a saída na segunda semana de setembro, resultando em um fluxo cambial positivo de US$ 1,035 bilhão entre os dias 10 e 14 do mês, informou nesta quarta-feira, 19, o Banco Central. Uma semana antes, o BC havia registrado um fluxo cambial negativo de US$ 575 milhões.

O comércio exterior respondeu por uma saída líquida de US$ 904 milhões na semana passada. No segmento financeiro, no entanto, o saldo foi positivo em US$ 1,939 bilhão no período. Esse segmento inclui recursos do mercado de ações, investimentos em títulos, empréstimos, remessas de lucros e investimentos produtivos, entre outros.

A virada do fluxo cambial não surpreendeu os operadores de bancos e corretoras de câmbio ouvidos pela AE. O mercado já contava com o ingresso no País entre os dias 10 e 11 da captação externa da Vale, num total de US$ 1,5 bilhão fechada no começo do mês. E foi, de fato, o segmento financeiro na semana passada que garantiu a reversão do fluxo para um resultado favorável no mês.

Segundo um operador de tesouraria de um banco, a reversão do fluxo para positivo veio dentro do esperado porque era previsto o ingresso no começo da semana passada de recursos captados pela Vale no mercado internacional através de bônus com vencimento em 2042. "A emissão externa da Vale somou US$ 1,5 bilhão e sua liquidação era para o dia 10 ou 11. Portanto, o mercado já contava que haveria o ingresso, que pode ter sido parcial ou total desse montante", disse a fonte.

O economista Sidnei Nehme, sócio-diretor da NGO Corretora, disse que houve uma melhora pontual no fluxo cambial na semana passada, devido à abertura de uma janela de captações no exterior no começo do mês, e a Vale foi praticamente a primeira a aproveitar a oportunidade. Além da mineradora, houve também a captação do Banco do Brasil de dívida sênior no Japão, no valor de 24,7 bilhões de ienes, com vencimento em setembro de 2015, entre outras.

Contudo, para Nehme, os ingressos financeiros não devem se manter e a tendência é de fluxo negativo no País. "O Brasil perdeu atratividade ao investidor estrangeiro por causa do crescimento econômico fraco esperado e devido ao cerceamento pelo governo e Banco Central ao capital especulativo", avalia.

Do fluxo positivo mensal (de 1º a 14) de US$ 406 milhões, o comércio exterior respondeu por uma saída líquida de US$ 1,787 bilhão, enquanto as operações financeiras tiveram saldo positivo de US$ 2,246 bilhões nessas duas semanas. No ano até 14 de setembro, o fluxo cambial registra entrada líquida de US$ 23,449 bilhões (com US$ 17,274 bilhões pela via comercial e US$ 6,176 bilhões no segmento financeiro).

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