Fluxo de capitais inquieta Dilma

Combate ao fluxo de capitais especulativos é o plano para conter a valorização do real, diz petista

Renato Andrade, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

O combate ao fluxo de capitais especulativos é o caminho escolhido pela candidata Dilma Rousseff (PT) para conter a forte valorização do real. Para a petista, as medidas adotadas pelo Ministério da Fazenda para frear a entrada de investimentos estrangeiros que buscam apenas retorno financeiro alto, garantido pela robusta taxa de juros brasileira, é a melhor forma de evitar que esse dinheiro prejudique a economia.

"É sobre esses fluxos especulativos e, sobretudo, sobre operações com derivativos que o governo tem que atuar neste momento", disse Dilma em entrevista ao Estado.

Nas duas últimas semanas, a equipe do ministro Guido Mantega elevou por duas vezes o imposto que incide sobre as operações financeiras de estrangeiros em renda fixa no País e subiu de 0,38% para 6% a alíquota do tributo das garantias que precisam ser depositadas na BM&FBovespa para operações no mercado futuro.

Apesar das críticas de alguns economistas, que veem nas ações os primeiros passos em direção à adoção de controles mais fortes sobre a entrada de capitais, Dilma faz outra avaliação das medidas. "A crise internacional demonstrou mais uma vez que o mercado financeiro desregulado tende a produzir bolhas e volatilidade excessiva. Neste sentido, não é inevitável a adoção de controles de capital, mas sim uma melhor supervisão e monitoramento de capitais especulativos", disse. "O capital de longo prazo que estimula o investimento e a produção será sempre bem-vindo."

A postura definida por Dilma para enfrentar a elevada taxa de juros também difere de boa parte dos economistas de mercado. Enquanto muitos defendem uma política de corte de gastos públicos, o que abriria espaço para cortes mais fortes na Selic, a petista aposta em um caminho mais longo, que passa pelo aumento dos investimentos, ganho de produtividade e controle da inflação. "Não se reduz taxa de juro por decreto", disse a líder da corrida presidencial.

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