Fluxo de capitais positivo, porque é bom negócio

Os juros reais voltam a atrair capitais voláteis para o Brasil. Até quarta-feira, o fluxo cambial foi positivo em US$ 1 bilhão, segundo o Banco Central. Como mostrou reportagem do Estado, na quinta-feira, a volta dos recursos traz novo custo fiscal.

O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2014 | 02h05

Desde que o banco central norte-americano (Fed) anunciou a política de tapering, em 2013, reduzindo as compras de títulos em poder do setor privado e retomando maior controle monetário, os mercados globais passaram a enfrentar fases de grande volatilidade, obrigando os emergentes a elevar juros para atrair recursos. A alta de juros dos títulos públicos norte-americanos, na quarta-feira, reforçou essa pressão. Foi o resultado da leitura da ata da última reunião do Fed: com a economia americana em recuperação, a alta do juro é inevitável.

No Brasil, depois de semanas de acesso reduzido ao mercado global, as aplicações externas voltaram. Do dia 3 ao dia 19 deste mês, entraram US$ 2,13 bilhões pela conta financeira, onde estão investimentos diretos, aplicações em carteira e remessas de lucros e dividendos.

Segundo especialistas, os preços dos papéis brasileiros já embutem o risco de um rebaixamento da classificação do País pela agência de rating Standard & Poor's.

Às oscilações dos mercados globais soma-se a volatilidade do mercado brasileiro, agravada pelo ano eleitoral. O aperto econômico previsto para 2015, qualquer que seja o próximo presidente da República, abre o caminho para movimentos especulativos com os papéis do País. A perda de valor dos títulos públicos de longo prazo, em 2013, agravou o sentimento de desconfiança dos investidores.

Com o aumento dos juros básicos de 3,25 pontos porcentuais, nos últimos 12 meses - e a perspectiva de que o ciclo de alta da taxa Selic não esteja esgotado -, os papéis brasileiros passaram a oferecer juros reais muito atraentes para os aplicadores globais. Tomar recursos baratos no exterior para aplicar em títulos com juros elevados, no Brasil, voltou a ser bom negócio.

É um movimento que não interessa ao País, salvo por curto período de tempo, enquanto o governo tenta combater o desgaste provocado pelos déficits fiscal e cambial mediante aumento do superávit primário. Mas a demora em acordar para os riscos da deterioração fiscal levou o governo a ter de pagar juros reais muito elevados, sem a certeza de que essa situação seja apenas transitória.

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