Fluxo de capital deve ser o menor em 10 anos

O fluxo de capital para os mercados emergentes pode cair este ano para o nível mais baixo em uma década, expondo a necessidade por políticas econômicas melhores nos países em desenvolvimento e mais ação dos governos do G-7 para promover crescimento. A informação foi dada pelo Institute of International Finance (IIF), uma organização de instituiçõeS financeiras. Na sua última previsão para fluxos de capital privado, o IIF havia estimado que o fluxo líquido privado para as economias emergentes iria totalizar US$ 123 bilhões este ano, nível mais baixo desde 1992, principalmente porque os investidores estão deixando a América Latina. Isso comparado com uma média de US$ 187 bilhões em fluxos totais nos últimos dez anos. O IIF prevê que o investimento direto estrangeiro caia para US$ 113 bilhões em 2002, US$ 20 bilhões a menos do que no ano passado.Antes das reuniões do FMI e do Banco Mundial na próxima semana, o diretor do IIF Charles Dallara esboçou um conjunto de posições políticas sobre questões que deverão ser destaque na agenda dos encontros dos ministros de Finanças e banqueiros. Em carta ao comitê financeiro do FMI, Dallara reiterou a oposição de seu grupo a uma abordagem estatutária da reestruturação da dívida soberana, que poderia "contribuir para uma alternativa atraente em relação às medidas de reformas mais duras." Em vez disso, mais atenção e ajuda deveriam ser dadas para o desenvolvimento de procedimentos de reestruturação em contratos de títulos soberanos, disse ele. Dallara também propôs um sistema de consultoria mais próxima entre investidores privados e países que passam por dificuldades, mas não crises. Um grupo conselheiro informal para o setor privado poderia ser formado para criar a comunicação numa época de queda da confiança do investidor.A estimativa de fluxos de capital para 2002 foi acentuadamente diferente entre as regiões, refletindo o efeito que a crise financeira na América do Sul causou sobre os investimentos. Os fluxos privados líquidos para a América Latina devem cair para US$ 29,1 bilhões em 2002, de US$ 45,6 bilhões do ano passado, enquanto o fluxo para a África e o Oriente Médio deve ser de US$ 9,2 bilhões, abaixo dos US$ 10,6 bilhões de 2001. Mas a parte emergente da Europa deve verificar um aumento, de US$ 16,4 bilhões para US$ 23,9 bilhões, e a Ásia emergente deve atrair US$ 60,7 bilhões, acima dos US$ 53,4 bilhões do ano passado. A diferença entre as regiões é uma evidência de que os investidores "estão propensos hoje, mais do que há dez anos, a discriminar os riscos individuais dos países", informou Dallara.Ele acrescentou que as dificuldades que o Brasil enfrentou neste ano mostram que muito mais precisa ser feito para minimizar o contágio. "A recente experiência no Brasil destacou o quanto as dificuldades que os investidores enfrentam diante de incertezas políticas pode contribuir para a volatilidade de mercado", disse Dallara. "O alargamento dos juros para o Brasil pode ter sido exacerbado pela atenção que os administradores de fundos dão ao seu desempenho em comparação com o de seus parceiros, à saída de investidores e à falta de liqüidez de mercado durante tempos de maior aversão ao risco global." Os investidores têm que se condicionar melhor para a fraqueza política e institucional nos países em desenvolvimento. Isso poderia levar a diferenças maiores de taxas de juros durante tempos de progresso, mas a menos volatilidade durante períodos de incerteza, disse Dallara.

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