Fluxo de capital dos fundos nas crises financeiras

A adoção de novas regras de atualização das cotas dos fundos de investimento pelo valor de mercado dos títulos em carteira em 31 de maio foi acompanhada por fortes movimentações. Dados do Banco Central e da Anbid analisados por Bolivar Godinho Filho, professor de finanças da BBS - Brazilian Business School, aponta que os resgates nos fundos em junho atingiram R$ 23,5 bilhões (-6,6% do patrimônio), enquanto os depósitos a prazo (CDB, RDB e LC) captaram R$ 5,4 bilhões (+4,6%) e a caderneta R$ 5,8 bilhões (+4,8%). Os restantes R$ 12,3 bilhões podem ter ido para aplicações em imóveis, ouro e dólares. No mês de julho, até o dia 18, os resgates em fundos alcançaram R$ 9 bilhões. Embora expressivos, os volumes de resgate nos últimos meses não é recorde na indústria dos fundos. O professor comenta que a situação foi pior durante a crise asiática, em 1997, quando a puxada dos juros atingiu pela primeira vez os fundos de renda fixa que, por estarem com títulos prefixados de longo prazo em carteira, apresentaram cotas negativas por causa do mecanismo de ajuste do valor dos papéis ao de mercado. Entre agosto de 199 e janeiro de 1998, período da crise da Ásia, o fluxo de fundos foi negativo em R$ 28,7 bilhões. correspondendo a uma queda de 19,5% em relação ao saldo existente em agosto de 1997. Mas, depois de alguns meses, os recursos voltaram para os fundos de investimento, atraídos pela rentabilidade, destaca. Na crise seguinte, a da Rússia, os fundos tiveram fluxo negativo de R$ 18,4 bilhões (-12,3%) de agosto a outubro de 1998. Nova sangria ocorreu na forte desvalorização do real, na crise cambial entre janeiro e fevereiro de 1999, quando os fundos perderam R$ 1,7 bilhão (-1,0%). Também em todas essas crises anteriores, o dinheiro em fuga dos fundos migrou em boa parte para os CDBs e caderneta (ver gráfico). "Os dados apontam que os investidores perceberam que os fundos de investimento embutem maior risco que os CDBs e a caderneta nas últimas crises."

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