Fluxo de capital voltará aos emergentes em alguns meses, diz Citigroup

Segundo economista, saída de capital tem sido causada pela crise política no Egito, Iêmen e outros países 

Danielle Chaves, da Agência estado,

16 de fevereiro de 2011 | 10h40

O fluxo de saída de capital das economias emergentes durante as últimas semanas tem sido causado pela crise política no Egito, no Iêmen e em outros países e não pelo fortalecimento dos indicadores econômicos dos EUA, afirmou Willem Buiter , economista-chefe global do Citigroup.

Os capitais podem continuar fluindo para fora de algumas economias emergentes nos próximos seis meses, até que haja mais clareza sobre a situação política, disse Buiter à Dow Jones durante um encontro de investidores organizado pelo Citigroup em Cingapura. "Isso é mais a compreensão de que existem riscos soberanos até nos mercados emergentes. A retirada de capital é um caso de, na dúvida, pular fora", disse.

No entanto, Buiter disse esperar que os fluxos de entrada de capital nos mercados emergentes sejam retomados depois de poucos meses. "No final, o crescimento ainda vai acontecer lá (nos países emergentes). Se eu tivesse de investir, eu não faria isso nos EUA", afirmou.

Os investidores têm retirado dinheiro de fundos de mercados emergentes e comprado ações em economias desenvolvidas. Na semana encerrada em 9 de fevereiro, os investidores retiraram US$ 3 bilhões de fundos de ações de mercados emergentes, depois de sacarem US$ 7,02 bilhões na semana anterior, marcando um recorde de três anos nos resgates semanais.

Fundos de mercados desenvolvidos atraíram fluxos de capital pela sexta semana seguida, de acordo com a EPFR Global, que acompanha fundos com quase US$ 14 trilhões em ativos em todo o mundo.

Na conferência em Cingapura, Buiter afirmou que economias emergentes enfrentam os desafios do superaquecimento e das bolhas de ativos conforme lideram a recuperação econômica global. "O próximo desafio para economias emergentes é solucionar o superaquecimento, lidar com o crescimento excessivo no crédito e as bolhas de ativos", disse o economista.

Buiter também alertou que autoridades de economias emergentes como Brasil, China e Índia podem estar atrasados no aperto monetário para tratar da inflação. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.