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Fluxo e alento da Austrália levam dólar à terceira queda

Cotação de fechamento no mercado à vista continua como a menor do ano, a R$ 1,7520 no balcão

Taís Fuoco, da Agência Estado,

06 de outubro de 2009 | 16h52

Apesar do forte recuo desta manhã, amparado pela expectativa de fluxo com a oferta de ações do Santander Brasil e com a notícia de aumento das taxas de juros na Austrália, o dólar passou por um movimento de correção à tarde e devolveu parte das perdas vistas nos últimos dias. A cotação de fechamento no mercado à vista, entretanto, continua como a menor do ano e a terceira queda consecutiva. O dólar pronto na BM&F fechou o dia a R$ 1,7532 (-0,41%), enquanto no balcão o recuo foi de 0,51%, para R$ 1,7520, depois de a divisa oscilar entre a máxima de R$ 1,7590 e a mínima de R$ 1,7450. O giro em D+2 na Clearing de Câmbio era, perto das 16h45, de US$ 2,6 bilhões, enquanto ontem somava US$ 2,042 bilhões no mesmo horário.

 

O Reserve Bank of Australia (RBA, banco central australiano) elevou as taxas de juros pela primeira vez desde março de 2008, tornando-se o primeiro banco central do G-20 a iniciar a retirada dos estímulos que sustentaram a economia ao longo da crise financeira global. A taxa estava no menor patamar em 49 anos, de 3%, e foi elevada a 3,25%. "Pela manhã o cenário externo era muito favorável, já que na medida em que se retiram as medidas anticíclicas, os países reforçam a percepção de que suas economias estão se recuperando", afirmou André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, sobre a decisão da Austrália.

 

No comunicado que acompanhou a decisão, o presidente do RBA, Glenn Stevens, indicou que a elevação da taxa pode ser a primeira de uma série. Os economistas disseram esperar novos aumentos antes do fim do ano e o mercado futuro levou em conta essa expectativa nos contratos para dezembro. Stevens lembrou que o banco central havia cortado as taxas de juros no final de 2008 e no início de 2009 ante a expectativa de condições econômicas muito fracas e consideráveis riscos de recessão.

 

No movimento generalizado de apetite renovado ao risco, as bolsas europeias fecharam em alta, assim como os índices das bolsas de Nova York, o petróleo e os metais. O ouro voltou a bater recordes de valorização. Entre os contratos futuros indexados ao dólar na BM&F, o contrato de novembro - mais líquido - perdia 0,48% perto das 16h40, a R$ 1,759. Ao mesmo tempo, o euro subia 0,12%, a US$ 1,4723, voltando ao patamar de US$ 1,47 depois de seis sessões, e o dólar perdia 0,37%, para 88,76 ienes.

 

Ainda que tenha movimentado bastante o dia, a notícia do jornal britânico The Independent - confirmada à Agência Estado pelo próprio jornalista Robert Fisk - de que os países produtores de petróleo avaliam substituir o dólar nos contratos da commodity ainda parece muito distante para afetar a cotação da moeda no mercado doméstico, segundo a opinião de pelo menos dois operadores.

 

O jornalista afirmou que os países do Golfo estão negociando com a China, Rússia, Japão e França um novo formato para os contratos de petróleo. O objetivo seria abandonar o dólar e buscar acordos baseados em outras divisas. Ele informou à correspondente Daniela Milanese que suas fontes lhe confirmaram que o Brasil também foi palco de reuniões secretas sobre a troca do dólar por uma cesta de moedas.

 

Autoridades de países do Golfo Pérsico, incluindo o ministro do petróleo do Catar e o ministro das finanças do Kuwait, no entanto, negaram as informações de Fisk. "Nunca ouvimos isso ou discutimos isso, tampouco secretamente", disse o ministro do Petróleo do Catar, Abdullah bin Hamad Al Attiyah, em entrevista por telefone à agência Dow Jones. Perguntado se o Ministério das Finanças do Kuwait estava ciente das discussões, o ministro Mustafa Al Shamali afirmou: "não, não estamos cientes de qualquer discussão sobre o assunto". Uma autoridade da Opep também negou a reportagem, classificando-a de "especulação".

 

Como as possíveis discussões seriam para uma decisão a partir de 2018, André Perfeito avalia que o efeito disso no mercado doméstico de câmbio seria "para longo prazo". O gerente da mesa financeira da Hencorp Commcor DTVM, Rodrigo Nassar, também disse não acreditar que essa notícia tenha afetado as cotações do dólar nesta terça-feira.

 

De qualquer forma, o dólar continua na berlinda. O ministro de Assuntos Econômicos e Finanças do Irã, Shamseddin Hosseini, disse hoje que o dólar é prejudicial às economias e que o país ganhou bilhões de dólares depois de trocar suas reservas estrangeiras por euros. "Não somos apenas nós que sentimos que a dominância do dólar não apenas não ajuda, como também é prejudicial para as economias", disse Hosseini em entrevista coletiva em Istambul. "Tivemos um ganho de bilhões de dólares com a mudança (de nossas reservas) de uma base em dólar para euro e outras moedas."Hosseini acrescentou que o país captará 1,5 bilhão de euros (US$ 2,2 bilhões) com uma emissão de bônus nos próximos seis meses, segundo a agência Dow Jones.

 

Para Nassar, da Hencorp, a ausência de notícias na parte da tarde e a queda excessiva da moeda americana recentemente - ontem a cotação atingiu o menor patamar desde 9 de setembro do ano passado - levaram a uma correção e o movimento de vendas de dólares foi reduzido. Outro operador acredita que o Banco Central tenha comprado todo o excesso do dia no leilão. A autoridade monetária comprou dólares à taxa de corte de R$ 1,7548 até as 15h45.

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