Fluxo mantém tendência e dólar recua 1,21% em abril

O dólar subiu levemente nesta segunda-feira, mas no acumulado do mês a moeda norte-americana caiu mais de 1%, em meio ao fluxo cambial positivo que derrubou a cotação para os menores níveis em seis anos. Na última sessão do mês, o dólar avançou 0,25%, sendo cotado a R$ 2,036 para venda no final. Em abril, a divisa recuou 1,21%, renovando a mínima desde 2001 em seis oportunidades. No último dia 25, a moeda encerrou a R$ 2,021, menor cotação desde 20 de fevereiro daquele ano. "(A trajetória) do dólar mesmo é de depreciação frente ao real. É uma tendência natural", disse Daniel Szikszay, gerente de câmbio do Banco Schahin. Nesta sessão, os negócios foram influenciados pela formação da última Ptax (taxa média do dólar) do mês, utilizada como referência para a liquidação de contratos futuros. A véspera do feriado do dia do Trabalho, contudo, reduziu o volume de operações. Segundo Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, o dia atípico afasta agentes do mercado primário - como exportadores e importadores - e outras empresas. "Nenhuma empresa em sã consciência deixaria volumes de dólar para fechar hoje. É só formação de Ptax", disse. O menor ritmo de negócios se refletiu na atuação do Banco Central, que fez apenas um leilão de compra de dólares no mercado à vista na primeira metade da sessão. Na semana passada, além dos leilões no mercado à vista, o BC havia feito quatro leilões de swap cambial reverso, operação que tem efeito de uma compra futura de dólares. Estratégia As intervenções fazem parte de uma nova estratégia do BC, que neste mês tentou trazer mais imprevisibilidade ao mercado. Isso desestimularia a aposta de investidores na queda da moeda norte-americana por meio de operações no mercado futuro. Na opinião de Szikszay, "(o dólar) só não caiu mais ainda por causa da intervenção do BC, que vem fazendo (leilões) com mais rigor nos últimos tempos. Senão, já estaria mais perto dos R$ 2". Para o próximo mês, disse, "vamos ver como o mercado vai se acostumar a essa idéia de leilão praticamente diário de futuros... Mas o fluxo continua e a tendência me parece ser de apreciação do real". Em Nova York, o presidente do BC, Henrique Meirelles, defendeu a atuação da autoridade monetária e disse que a instituição deve tentar evitar "distorções" no mercado de câmbio e manter a compra de dólares. "O que podemos fazer é, por um lado, ter um mercado (cambial) flexível e transparente sem distorções de um lado ou de outro e, ao mesmo tempo, manter o acúmulo de reservas (internacionais) para fortalecer o perfil do país", afirmou, ao responder sobre o que o BC poderia fazer para aumentar a competitividade das empresas brasileiras.

Agencia Estado,

30 Abril 2007 | 17h08

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