Fluxo mundial de investimento estrangeiro cai 21% em 2008

Segundo números da Unctad, fluxo para países desenvolvidos teve queda e para emergentes subiu ligeiramente

Ana Conceição, da Agência Estado,

19 de janeiro de 2009 | 11h03

O fluxo global de investimento estrangeiro direto (IED) diminuiu 21% para US$ 1,4 trilhão em 2008 e deve recuar ainda mais neste ano, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    A agência da ONU ponderou que o fluxo de investimento para as economias desenvolvidas recuou em um terço, enquanto aquele para as economias em desenvolvimento teve ligeiro aumento. A Unctad alertou, contudo, que menos recursos deverão ser investidos nos países mais pobres em 2009.   "O impacto negativo da crise econômica e financeira sobre o fluxo de investimentos diretos deve continuar dominante e contribuir para uma queda contínua desses recursos durante o ano de 2009. Os países em desenvolvimento não serão exceção. A queda no investimento será mais generalizada", disse a agência.   Brasil   De acordo com uma estimativa preliminar da Unctad, o investimento estrangeiro direto no Brasil cresceu 20,6% para US$ 41,7 bilhões em 2008, de US$ 34,6 bilhões no ano anterior. Do total investido, o valor direcionado a fusões e aquisições de empresas no País foi de US$ 9,7 bilhões, crescimento de 13,6% no período.   O crescimento do IED ficou acima do fluxo de recursos para os países em desenvolvimento, que registrou um aumento médio de 3,6% no ano passado, e em linha com os outros países que formam o BRIC, com exceção da Índia, que teve um salto de 60% nos investimentos estrangeiros, para US$ 36,7 bilhões em 2008. O recursos aplicados na Rússia aumentaram 17,6%, para US$ 61,7 bilhões e na China houve crescimento de 10,6%, para US$ 92,4 bilhões.   O crescimento do IED nos emergentes contrasta com a forte queda registrada nos países desenvolvidos. Na União Europeia (UE), o fluxo de recursos externos recuou 30,7%, para US$ 557,4 bilhões, enquanto nos EUA houve diminuição de 5,5%, para US$ 220 bilhões. No Japão, a queda foi de 22,6%, para US$ 17,4 bilhões.   Levando em conta a economia global, o fluxo de investimento estrangeiro direto (IED) diminuiu 21% para US$ 1,4 trilhão em 2008 e deve recuar ainda mais neste ano, disse a Unctad no relatório divulgado hoje. "O ano de 2008 marca o fim de um ciclo de investimentos internacionais iniciado em 2004", disse a entidade, observando que em 2007 o IED bateu recorde de US$ 1,8 trilhão. "O IED pode diminuir ainda mais em 2009 na medida em que as consequências da crise terão impacto nos gastos com investimentos das companhias transnacionais."   De acordo com o Unctad, dois desenvolvimentos devem liderar uma queda no fluxo de investimentos: a queda nos lucros das empresas e a escassez de crédito, fatores que deixarão as companhias menos dispostas a investir fora de suas bases. "O impacto desses dois fatores fará com que as empresas busquem tornar-se mais resistentes a qualquer deterioração adicional em seu ambiente de negócios", disse a entidade em seu relatório. Em 2008, o valor global investido pelas empresas em fusões e aquisições diminuiu 27,7%, para US$ 1,184 bilhão.   A Unctad não divulgou previsões detalhadas para 2009, mas ponderou que os países em desenvolvimento verão menos entradas de recursos estrangeiros neste ano porque a queda no investimento será mais generalizada que em 2008.

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