Fluxo negativo impede queda mais forte do dólar

O mercado de câmbio resistiu ontem em acompanhar a melhora da bolsa, dos títulos da dívida e, em intensidade menor, dos juros. Depois de cair forte na manhã de ontem, o dólar encerrou o dia estável, em R$ 3,91. Os operadores atribuem essa resistência à perspectiva de que o fluxo de recursos ainda é desfavorável ao País devido aos vencimentos de dívida cambial privada. Até porque, embora o volume de exportações tenha se mostrado significativo nos últimos dias, não seria suficiente para equilibrar as saídas. Inclusive, porque, segundo operadores, a escassez de oferta de linha não foi superada e o câmbio dos exportadores tem sido fechado às vésperas dos embarques. Para hoje, boa parte dos operadores avalia que a tendência é de estabilidade, ou pequenos recuos. Logo na abertura dos negócios, às 9h35, o dólar comercial estava sendo vendido a R$ 3,8550, em queda de 1,41% em relação ao fechamento de ontem. Veja aqui a cotação do dólar dos últimos negócios. Eles explicam que, mesmo com a perspectiva de fluxos negativos e com a manutenção da retração de crédito ao País, uma das pressões que o câmbio tem sofrido nos últimos meses diminuiu com a proximidade das eleições. Os operadores referem-se às tesourarias das instituições financeiras que vivem um momento de menor tensão, absorvendo a vitória de Lula e dando maior crédito às declarações do candidato petista e seus assessores. Ontem, por exemplo, o assessor econômico Guido Mantega reafirmou que o PT manterá a atual política de câmbio flutuante e reconheceu que ela é uma defesa para o País numa crise cambial pois evita a saída de capitais. Mantega disse também que o câmbio flutuante tem efeito colateral saudável pois estimula as exportações e inibe importações. Em seguida, o assessor de Lula descartou a possibilidade de adoção de políticas de controle e centralização cambial. O mercado gostou das afirmações.

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