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Fluxo para emergentes é de longo prazo, diz analista do JP Morgan

Para Joyce Chang, causa principal é o fato de instituições estarem diversificando suas carteiras de investimento

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Os grandes fluxos de capital que estão valorizando as moedas dos países emergentes, como o Brasil, podem ser um fenômeno permanente, ou de muito longo prazo. Essa visão foi sustentada ontem por Joyce Chang, chefe de pesquisa de mercados emergentes do JP Morgan, em conversa com a imprensa num intervalo do seminário sobre fluxos de capitais organizado no Rio pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), com apoio do governo brasileiro.

Para Joyce, a alta liquidez internacional - apontada por muitos analistas como uma das causas da sobrevalorização das moedas dos emergentes - não explica o grande volume dos fluxos de capital para os emergentes hoje. A causa principal, para ela, é que instituições de investimentos de países ricos, especialmente dos Estados Unidos, como fundos de pensão e seguradoras, estão diversificando suas carteiras na direção dos países emergentes.

Ela observou que os investidores institucionais americanos - fundos de pensão e seguradoras - têm patrimônio de US$ 3,7 trilhões, "mais do que as reservas da China". Hoje, esses investidores colocam 2,1% dos seus recursos nos países emergentes, sendo 0,3% em renda fixa e 1,8% em ações. Os investidores institucionais americanos, porém, dizem que aquela proporção deve chegar a 7%, o que significa um enorme aumento dos fluxos de capital para os emergentes. "Nós ainda não estamos nem em 20% (do processo de realocação)", disse Joyce.

As razões da realocação de capitais rumo aos emergentes, para a executiva, estão ligadas aos melhores fundamentos dessas economias, e não a um modismo. Em relação aos países ricos, os emergentes têm perspectivas de crescimento melhores, dívidas menores e trajetórias do endividamento mais saudáveis.

Ela observou que 61% dos mercados emergentes são credores líquidos em moeda estrangeira. Além disso, os juros pagos nesses países estão muito altos, considerando o risco que representam. Assim, a dívida do mercado de títulos americanos de melhor classificação, apesar de ter o mesmo rating (classificação de risco) que os papéis em moeda local de alguns países emergentes, pagam juros muito mais baixos.

Para Joyce, esses fatores que provocam os fluxos para os emergentes podem até ter uma característica cíclica, mas seria um ciclo muito longo, de 25 a 50 anos.

Durante o seminário, foram apresentadas várias visões sobre fluxos e controles de capital, e valorização de moedas emergentes. Foi lembrado, por exemplo, que, na realocação de portfólio dos investidores americanos, o fluxo aos emergentes aumenta, mas, quando o processo estiver concluído o fluxo se estabilizará num nível mais baixo que o atual. Assim, pode ser perigoso para países como o Brasil se acostumarem a financiar grandes déficits em conta corrente, por causa da atual sobra de recursos.

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