Fluxo pode favorecer nova queda do dólar em julho

A atuação do Banco Central fez a queda do dólar perder força em junho, mas a tendência no médio prazo, segundo analistas, é de mais recuo da moeda norte-americana se confirmada a perspectiva de manutenção do fluxo positivo de recursos para o Brasil.

REUTERS

30 de junho de 2009 | 19h24

O dólar teve variação negativa de 0,05 por cento nesta terça-feira, a 1,963 real.

Em junho, a divisa caiu 0,61 por cento, depois de ter registrado queda mais acentuada nos três meses anteriores. No ano, o recuo alcançou 15,9 por cento.

"O comportamento do dólar teve esse momento de alta (no meio do mês), um pouco influenciado pelas compras do BC, mas a tendência principal é de queda", afirmou Mário Paiva, gerente de câmbio da Liquidez Corretora.

Durante o mês, o dólar voltou a ser cotado a 2,0 reais, mas não se sustentou nesse patamar.

A perspectiva de novas entradas de recursos para ofertas de ações na bolsa brasileira pode forçar uma queda do dólar passados os vencimentos da virada do mês.

A BR Malls prepara uma oferta de ações que pode chegar a 809 milhões de reais, sem contar os lotes suplementar e adicional. A Light também fará uma oferta secundária de ações, que poderá movimentar cerca de 750 milhões de reais.

Para o gerente de tesouraria do Banco Alfa de Investimento, Gerson de Nobrega, o comportamento do dólar vai depender do desempenho da economia norte-americana. "O dólar pode ganhar força no curto prazo se os indicadores econômicos dos Estados Unidos vierem ruins", ponderou.

Nobrega destacou que os investidores estrangeiros devem dar uma pausa à espera de novos indicadores norte-americanos, antes de se posicionarem no mercado futuro. Pelo último dado disponível, os estrangeiros mantinham posições compradas (aposta na alta da moeda norte-americana) em 660 milhões de dólares.

Os bancos, por sua vez, reduziram as posições vendidas no mercado futuro de cerca de 7 bilhões de dólares na semana passasa para 5,8 bilhões de dólares no dia 29. Os fundos de investimento nacionais seguem com posições compradas em 4,5 bilhões de dólares.

Nobrega acrescentou que o BC deve continuar atuando na compra de dólares no mercado à vista, enxugando a liquidez. "Esperava um dólar abaixo de 1,90 real neste mês, mas as compras do BC seguraram uma queda mais forte."

(Reportagem de Silvia Rosa e José de Castro)

Tudo o que sabemos sobre:
DOLARFECHAFINAL*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.