FMI admite discutir novo superávit, mas não já

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vê com naturalidade e está interessado em discutir a idéia da introdução futura de um mecanismo anticíclico na política econômica brasileira, que daria ao País mais espaço para preservar os gastos sociais e de estímulo em períodos de desaceleração. ?Muitos países olham o equilíbrio estrutural (da economia) e não há nada de incomum nisso: é uma parte normal da maneira como a política econômica e formulada?, disse o diretor do departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, Anoop Singh. Ele conversou sobre o assunto com membros da equipe econômica que estão em Washington e evitou polemizar sobre uma idéia que o próprio ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse, na sexta-feira, ser prematura neste momento. ?Dentro de alguma semanas uma missão chefiada por Jorge Márquez (vice de Singh) vai ao Brasil e ele ficará feliz em conhecer as visões que existem sobre essas (propostas) de políticas?, afirmou ele. ?O que eu diria é que isso não está sendo introduzido imediatamente?, observou. ?É um mecanismo que eles pretendem desenvolver nos próximos um ou dois anos e introduzir depois de 2005 e estaremos muito interessados em trabalhar com as autoridades brasileiras e saber qual é o mecanismo (que têm em mente)?, disse. ?Mas isso não é, de maneira nenhuma, algo novo ? é feito por muitos países?. Perguntado sobre possíveis discrepâncias nas projeções de inflação do governo e do FMI para este ano, Singh disse que não vê diferenças. O FMI projetou uma inflação média de 14% em 2003. O governo espera uma taxa de 8,5% em dezembro deste ano. ?Vemos as expectativas de inflação em tendência de queda no segundo semestre", afirmou. ?À medida em que a apreciação cambial faça sentir seus efeitos, veremos isso?. O diretor do Fundo disse que há razões para ser ?cautelosamente otimista? sobre a economia da América Latina. Comparado com alguns meses atrás, ?muitas economia da região estabilizaram e começaram a recuperar-se, com base num amplo fortalecimento das políticas macroeconômicas e no lançamento de reformas ambiciosas, embora se deva reconhecer que muitos elementos do panorama econômico permanecem frágeis e que a situação em alguns países continua a ser bastante difícil?. Segundo Singh, ?o desempenho do Brasil foi particularmente encorajador e ajudou a melhorar as perspectivas em toda a América Latina, dado o papel-chave que sua economia tem na região?. Ele disse que o dado importante que está subjacente à melhora do ambiente econômico regional ?é uma encorajadora realidade política: muitos governos estão perseverando com políticas macroeconômicas prudentes e reformas baseadas no mercado, apesar de variados graus de oposição doméstica?. Numa referência ao Brasil, Colômbia e Equador, Singh destacou que ?novos governos em vários países mantiveram um claro compromisso público com uma gestão sólida da economia e em trabalhar com a comunidade internacional, ao mesmo tempo em que reconhecem a necessidade de alcançar um melhor equilíbrio entre os resultados econômico e social?.

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