FMI alerta para falta de equilíbrio na economia brasileira

Fundo destaca que economia do País deve acelerar no final do ano, mas crescimento deve pressionar inflação

Andréia Lago, da Agência Estado,

20 de julho de 2012 | 12h54

BRASÍLIA - O Fundo Monetário Internacional fez um alerta sobre a economia brasileira. Relatório divulgado nessa sexta-feira, 20, destaca a falta de equilíbrio entre investimentos e o alto consumo, o que tem gerado um endividamento preocupante.

Com níveis de endividamento e inadimplência em alta, o Brasil precisa fazer mais para estimular a poupança de governo e consumidores e para encorajar o investimento dessa poupança, afirma. "O reequilíbrio da demanda do consumo para o investimento e as exportações líquidas ajudarão a garantir crescimento forte e equilibrado à frente e dar suporte à competitividade", defende o chefe da missão do FMI para o Brasil, Vikram Haksar, em comunicado.

O FMI acredita que a economia brasileira vai crescer mais de 4% no último trimestre de 2012 na base anual, devido à forte demanda doméstica após o agressivo ciclo de corte da taxa básica de juros pelo Banco Central e pela forte criação de emprego. "Segundo o cenário base da equipe, as determinações monetárias agora dão suporte mais do que suficiente", disse o FMI em comunicado.

No documento, o Fundo afirma que as taxas de investimento e poupança do Brasil ficam atrás daquelas de seus pares no G-20 mesmo quando se exclui a China, e elevar esses níveis ajudaria a reduzir a taxa de juros do País, favorecendo a competitividade. Com menos demanda por poupança externa, o Brasil poderá ver sua taxa de câmbio enfraquecer, impulsionando a competitividade, diz o FMI.

As reformas das aposentadorias do setor público em curso, que cortam "generosos benefícios", devem encorajar a poupança privada e tirar alguma pressão dos gastos do governo, diz o relatório, que afirma também que o País precisa desenvolver fontes de financiamento de longo prazo, encontrando alternativas ao BNDES, que atualmente domina o financiamento.

O BNDES deverá se concentrar "no desenvolvimento de um mercado para financiamento de longo prazo e gradualmente desengajar-se de atividades comerciais, incluindo o financiamento às empresas de primeira linha que têm acesso a outros financiamentos", recomenda o Fundo.

Crise

No relatório sobre o Brasil, o FMI afirma que o País enfrentou a atual desaceleração na economia global razoavelmente bem por meio de um ciclo oportuno de relaxamento monetário e do compromisso com suas metas fiscais, mas diz que o governo precisa encorajar a poupança e o investimento para trazer o crescimento de volta ao seu curso.

Para o FMI, o compromisso do governo brasileiro com sua meta de superávit primário de 3,1% do PIB também deverá ajudar a estabilidade econômica, mas uma retirada oportuna das medidas de estímulo será necessária para manter a inflação sob controle no próximo ano, recomenda.

A despeito das preocupações com o lento crescimento na Europa e China, que poderá diminuir a demanda pelas exportações de matéria-prima do Brasil e também restringir as fontes de financiamento, o País não está "especialmente vulnerável a contágios" da desaceleração quando comparado com outros países do G-20, resume o FMI.

Na verdade, o Fundo apurou que os riscos ao seu cenário de crescimento do Brasil estão "amplamente equilibrados", com o financiamento dos bancos públicos domésticos ajudando a neutralizar o aperto nas condições globais de financiamento e os preços mais baixos de commodities.As informações são da Dow Jones.

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