FMI alerta para risco de bolha imobiliária

Segundo o Fundo, o preço dos imóveis subiu 7,4% no Brasil, um dos países onde o fenômeno de alta acima da média dos salários é mais grave

EFE

12 de junho de 2014 | 08h39

 

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu para a necessidade de medidas urgentes para evitar uma nova crise imobiliária na economia global. Para o fundo, os países precisam agir para para conter a elevação dos preços acima da média histórica, fenômeno que atinge principalmente o Brasil, China e as Filipinas.

"As ferramentas para conter os preços dos imóveis ainda estão se desenvolvendo, mas isto não deve ser desculpa para a falta de ação", disse o sub-diretor gerente do FMI, Min Zhu. "Os preços dos imóveis residenciais em muitos países continuam muito acima da média histórica em relação à elevação dos salários e dos aluguéis", acrescentou.

Zhu lançou a advertência em um discurso pronunciado durante a reunião do Bundesbank, o Banco Central alemão, na semana passada. A íntegra do pronunciamento foi publicada na página do FMI na internet nesta quarta-feira, 11.

Na visão do FMI, a aceleração do preço dos imóveis acima dos preços atuais já elevados é uma das maiores ameaças à estabilidade da economia global.

"A habitação é um setor essencial da economia, mas também uma fonte de vulnerabilidade e crises. Portanto, enquanto a recente recuperação dos mercados imobiliários é um bom passo, devemos permanecer atentos para evitar um novo boom insustentável", afirmou Zhu.

Alta dos preços. Segundo dados do FMI, o preço da habitação cresce mais rápido nos mercados emergentes, com altas que superam os 10% a cada ano nas Filipinas, 9% na China e 7% no Brasil.

Com a recessão global, os bancos centrais reduziram as taxas de juros a mínimas históricas, o que elevou os preços dos imóveis a níveis que, segundo o FMI, representam um risco significativo para as economias tão diversas como Hong Kong e Israel.

Os preços das habitações estão também acima da média histórica em países como Austrália, Bélgica, Canadá, Reino Unido, Noruega e Suécia. No Canadá, o preço da habitação está 33% acima da média histórica em relação aos salários e 87% acima da média dos alugueis. No Reino Unido a alta é 27% acima dos salários e 38% acima da média dos alugueis.

O mercado imobiliário mais barato do mundo é o do Japão, onde a habitação custa 41% menos que a média histórica em relação aos salários e 38% abaixo da média dos alugueis.

Nos países do Sul da Europa mais afetados pela crise os preços dos imóveis caíram: 7% na Grécia em relação ao ano anterior, 6,6% na Itália e 5% na Espanha.

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