Mariana Bazo/Estadão
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FMI propõe reformas para o Brasil e alerta para risco em países emergentes

Em relatório, a diretora-gerente do fundo, Christine Lagarde, afirmou que o País precisa fazer reformas na educação e no mercado de trabalho para ficar competitivo

Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2015 | 11h09

Atualizado às 13h05

LIMA - A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou para maiores riscos nos países emergentes e recomendou que o Brasil tome medidas para melhorar o ambiente de negócios, incluindo reformas na educação e no mercado de trabalho, que ajudem o País a aumentar sua competitividade, de acordo com a Agenda de Política Econômica da dirigente, divulgada nesta quinta-feira, 8, quando começam as plenárias da reunião anual do FMI em Lima.

Lagarde dedica boa parte do documento para comentar o aumento da preocupação com os mercados emergentes, com economias importantes, como Brasil e Rússia, em desaceleração pior que o inicialmente esperado. "Os riscos estão se dirigindo em direção aos emergentes", afirma a diretora no documento. Fatores como a ampla depreciação das moedas, fluxos internacionais de capital em desaceleração e condições financeiras mais duras estão colocando pressão adicional nas empresas destes mercados, que aumentaram suas dívidas em dólar nos últimos anos. Agora essas firmas vão precisar refinanciar seus passivos em condições menos favoráveis, destaca o documento.

A interação de fatores domésticos e os "ventos contrários" vindos do exterior deixam alguns dos emergentes vulneráveis às mudanças que ocorrem agora na economia mundial, afirma Lagarde. A mudança de humor dos investidores também pode ter efeitos perversos em alguns desses mercados mais fragilizados.

Mudança global. A dirigente começa sua agenda falando que o ambiente econômico mundial está passando por uma transformação, com o momento de elevação das taxas de juros dos Estados Unidos se aproximando e a economia da China em meio a um processo de mudanças de modelo de crescimento, com Pequim tentando levar o país a ser mais dependente do consumo doméstico e menos de investimento e exportações.

Essas transformações, de acordo com Lagarde, estão tendo impacto em toda a economia mundial. "Grandes movimentos nas taxas de câmbio, aumento da volatilidade no mercado financeiro, declínio acentuado do comércio internacional, previsões mais fracas de crescimento da economia mundial e elevados riscos de piora do cenário são efeitos dessa transição", afirma a dirigente.

Em entrevista concedida após a divulgação do relatório, Lagarde afirmou que a transição da economia da China, em direção a um modelo de crescimento mais baseado no consumo doméstico do que em exportações, é boa para a economia mundial, mas pode gerar "solavancos pelo caminho". "Há muitas transições ocorrendo ao mesmo tempo na economia mundial. Elas precisam ser gerenciadas e podem ser gerenciadas", disse Lagarde. 

A previsão de crescimento para a economia mundial voltou a ser reduzida esta semana pelo FMI e, no texto divulgado hoje, Lagarde menciona novamente a expressão que usou em outras reuniões da instituição, o risco de a expansão mundial entrar em um patamar "novo medíocre".

Lagarde ressalta que as respostas dos diversos países a esse cenário mais adverso da economia mundial tem variado, mas volta a mencionar que alguns emergentes estão com menos espaço para usar políticas para lidar com esse cenário. "O escopo para flexibilizar a política fiscal e monetária é limitado pela inflação, dívida pública ou riscos nos balanços das empresas."

A recomendação de Lagarde é que os governos fiquem atentos aos riscos para a estabilidade do sistema financeiro, ao mesmo tempo em que tentam estimular o crescimento econômico, o investimento e empreender reformas estruturais. Nos países desenvolvidos, a inflação baixa permite que os bancos centrais continuem com suas políticas monetárias acomodatícias. Para o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Lagarde destaca que uma comunicação clara da estratégia de elevação dos juros é essencial. 

"Os governos precisam buscar um crescimento maior, mais durável e mais inclusivo", disse ela, destacando que não está pintando um "cenário negro" para a economia mundial. Se os governos conseguirem gerenciar as transformações que estão ocorrendo na economia, o crescimento pode se acelerar. 

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