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FMI alerta para riscos de declínio na América Latina

Apesar de ter elevado a previsão de crescimento na região, o Fundo teme o fim de vantagens atuais, como acesso ao crédito

BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h10

O diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nicolas Eyzaguirre, alertou ontem para os riscos de declínio das economias da América Latina. A preocupação ocorre mesmo após o FMI ter elevado as previsões de crescimento econômico para as nações que fazem parte dessa região que, segundo o Fundo, estão indo bem, com acesso fácil ao financiamento e com os preços altos para as commodities que produzem.

A última projeção econômica regional do FMI para o Hemisfério Ocidental, divulgada ontem, sugere que os bons ventos econômicos na América Latina vão continuar a soprar. As novas previsões para o crescimento econômico na região - 3,7% em 2012 e 4,1% em 2013 - estão um pouco acima de suas próprias projeções de três meses atrás.

Eyzaguirre, no entanto, disse que, embora o acesso fácil e barato ao financiamento e os preços de commodities favoráveis possam persistir, provavelmente vão se dissipar ao longo do tempo. Ele exortou os países da América Latina a usar o atual ambiente com inteligência e disse que os riscos globais elevados, como a crise da dívida na Europa, podem afetar as nações da América Latina, principalmente aquelas intimamente integradas com o sistema financeiro global, como Brasil, Chile e Colômbia.

"O desafio para muitos países é o de tirar vantagem desse ambiente para construir proteções, para aumentar a resiliência e a flexibilidade que os serviu tão bem nos últimos anos", disse.

Argentina. Falando a repórteres em Bogotá, na Colômbia, Eyzaguirre também afirmou que o FMI espera que a Argentina chegue a um acordo com a Espanha sobre a petrolífera YPF, controlada pela Repsol, que seja "viável" para a Argentina e "aceitável" para a Espanha. Recentemente, o governo argentino decretou a nacionalização da YPF. Ele disse que não entraria em detalhes por tratar-se de tema bilateral.

O FMI observou que as economias sul-americanas financeiramente integradas do Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai cresceram a uma média de 5,5% no ano passado, abaixo dos 6,5% em 2010. Essas taxas de crescimento fortes e constantes, segundo o FMI, apresentam um desafio para os bancos centrais da região.

"Eles precisam estar prontos para suportar condições de liquidez caso choques globais adversos se materializem", afirmou. "Por outro lado, precisam assegurar que as políticas monetárias continuem a ancorar as expectativas de inflação."/DOW JONES NEWSWIRE

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