FMI alerta para superaquecimento na Ásia e pede aperto

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje, por meio do relatório Perspectiva Econômica Regional, que focos de superaquecimento foram registrados na Ásia nos últimos meses, fazendo com que um aperto macroeconômico na região seja ainda mais urgente. Segundo o fundo, o elevado preço das commodities (matérias-primas) parece contaminar o núcleo da inflação e influenciar as expectativas do público em relação ao aumento dos preços.

CYNTHIA DECLOEDT, Agencia Estado

28 de abril de 2011 | 11h53

O FMI observou que as taxas de juro estão em níveis inferiores aos consistentes com um crescimento estável e baixa inflação. O órgão internacional ainda pediu que uma maior flexibilização do câmbio seja utilizada como principal linha de defesa contra o superaquecimento.

"Embora esperemos que a inflação em muitas economias asiáticas suba ainda mais em 2011, antes de uma desaceleração modesta em 2012, os riscos de inflação na Ásia seguem na direção de alta", afirmou o diretor do Departamento para a Ásia e o Pacífico do FMI, Anoop Singh.

O FMI estima que o Produto Interno Bruto (PIB) na região do Pacífico, na Ásia, como um todo irá crescer 6,8% em 2011 e acelerar para 6,9% em 2012, ficando abaixo da expansão de 8,3% registrada em 2010. A expansão nesse ano e no ano que vem poderá ser impulsionada pelo crescimento chinês (de 9,6% previsto em 2011 e de 9,5% em 2012) e indiano (8,2% em 2011 e 7,8% em 2012).

Com tal crescimento no pano de fundo, a necessidade de políticas macroeconômicas de aperto na Ásia é "mais urgente" agora do que há seis meses, argumentou o FMI, acrescentando que o grau e o ritmo de tal aperto varia de acordo com o país. Segundo o fundo, mesmo que o fluxo positivo de capital para os países tenha complicado a adoção de políticas de aperto monetário, uma moderação geral de tais fluxos nos meses recentes abre espaço para que os países elevem as taxas de juro.

O FMI observou que, em março, as taxas de juro estavam abaixo dos níveis estimados pela equipe do fundo, citando como exemplo a Índia, a Indonésia, a Coreia do Sul e a Tailândia. Em vários países, como China, Coreia do Sul e Índia, as taxas de juro real estavam no negativo, enquanto na Indonésia, encontravam-se muito abaixo das médias históricas. O FMI disse ainda que a taxa de câmbio efetiva continua próxima aos níveis pré-crise em muitas economias emergentes asiáticas e que, em Hong Kong, na Coreia do Sul e no Vietnã, estão significantemente abaixo de tais níveis.

O fundo estimou que um aumento adicional dos preços do petróleo em 2011 para US$ 150 por barril pode reduzir o crescimento do PIB na China, Japão e nas chamadas economias recém industrializadas de Hong Kong, Coreia, Cingapura e Taiwan em 0,5 a 0,75 ponto porcentual. Pode também reduzir o crescimento da Índia e da Indonésia em até 0,25 ponto porcentual, mas elevar levemente a produção na Austrália e na Malásia.

"Entretanto, as economias asiáticas podem ser severamente atingidas por uma segunda rodada de efeito da alta do preço do petróleo, como resultado da desaceleração global, uma vez que são altamente dependentes da demanda externa", advertiu o fundo. As informações são da Dow Jones.

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