FMI alerta Reino Unido sobre condução da economia

Relatório sobre a situação britânica confirma projeção de crescimento de apenas 0,2% para este ano

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE, WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h04

Numa crítica velada à atual condução da política econômica, o Fundo Monetário Internacional (FMI) exortou ontem o governo britânico a aliviar o ajuste nas contas públicas no próximo ano, reduzir a taxa básica de juros para menos de 0,5% ao ano e elevar seus investimentos.

A continuidade das atuais premissas, insistiu o FMI, pode causar prejuízo permanente à economia do país e, consequentemente, dificultar a recuperação da zona do euro.

O relatório sobre a economia britânica, divulgado ontem pelo FMI, confirmou a projeção de crescimento de apenas 0,2% neste ano, anunciada no início desta semana. Em abril, o Fundo projetava expansão de 0,8%. Para 2013, igualmente houve revisão para baixo das estimativas da instituição - de 2% para 1,4%.

A taxa de desemprego alcança 8,1% - porcentual semelhante à dos Estados Unidos. Mas deve chegar a 8,3% no fim deste ano e se manter nesse mesmo patamar em 2013, nos cálculos do FMI.

Segundo Ajkai Chopra, vice-diretor do Departamento de Europa do FMI, o crescimento "modesto" no Reino Unido tem como causas a baixa confiança e incerteza dos consumidores e investidores sobre o futuro da zona do euro e os cortes orçamentários já feitos e programados pelo governo.

Desafios. O Reino Unido não faz parte da zona do euro, mas sua economia está intimamente ligada à daquele bloco e sofre igualmente desafios na área fiscal. O governo adotou um programa de ajuste nas contas públicas cujos objetivos são zerar o déficit primário (receitas menos despesas) do governo até 2016.

"O ritmo do plano de ajuste fiscal pode ser aliviado antes do ano fiscal de 2013-2014 se o panorama se deteriorar bastante antes disso", acentuou o documento do FMI.

No início do mês, o Banco da Inglaterra expandiu o total disponível para a compra de títulos públicos, uma medida para aumentar o dinheiro em circulação e reduzir o custo de empréstimos, de 50 bilhões de libras (US$ 78 bilhões) para 375 bilhões de libras (US$ 584 bilhões).

O FMI considerou "significativa" a iniciativa. Mesmo assim, sugeriu uma redução na taxa básica de juros, mantida em 0,5% desde março de 2009.

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