FMI alerta sobre déficits e cita Brasil

As endividadas economias avançadas precisam urgente estabelecer planos de redução do déficit antes que os mercados se virem contra eles, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI), citando Estados Unidos e o Japão como os países mais atrasados nesse sentido.

LESLEY WROUGHTON, REUTERS

27 de janeiro de 2011 | 15h35

Aos mercados emergentes, o FMI lembrou que os equilíbrios fiscais em Brasil, China e Índia estão mais fracos do que o previsto em novembro, ressaltando que a deterioração nas contas fiscais brasileiras é "particularmente pronunciada".

Em uma análise sobre dívida e déficit global, o FMI afirmou que o ritmo de corte do déficit nas economias avançadas deve desacelerar neste ano, principalmente devido a ajustes fiscais atrasados nos EUA e no Japão.

O alerta surge em meio ao anúncio de cortes no rating da dívida soberana do Japão pela agência Standard & Poor's pela primeira vez desde 2002. A S&P afirma que Tóquio não apresentou um plano crível para lidar com sua alta dívida.

"Nas economias avançadas, onde a sustentabilidade fiscal não tem sido uma preocupação, planos críveis que vão além de 2011 precisam ser colocados em vigência urgentemente para assegurar a confiança do mercado", afirmou o fundo em seu relatório de monitoramento fiscal.

"As novas pressões do mercado sobre algumas economias avançadas pedem um compromisso mais determinado desses países para atingir suas metas de déficit e que produzam planos de contingência para assegurar que essas metas serão atingidas", acrescentou o FMI.

A recessão dos últimos anos, pior crise global desde a Grande Depressão, forçou os países ricos a gastar muitos dinheiro para amparar suas economias, o que elevou dívidas soberanas a níveis recorde no caso de alguns países.

Na Europa, alguns governos se viram forçados a pagar taxas de juros maiores sobre suas dívidas por não terem controlado melhor suas finanças, e eventualmente tiveram que lançar mão de planos de austeridade orçamentária. O FMI disse no começo da semana que a crise da dívida europeia é uma das maiores ameaças à recuperação global.

Neste seu último relatório, o fundo afirmou que todos os grandes países europeus terão que apertar suas finanças de forma ampla este ano, em linha com planos anteriores, apontando a Espanha como o país que enfrenta os maiores cortes. Mas o FMI disse ainda que a Europa precisa de um plano mais amplo para lidar com a crise de forma a evitar o contágio de outras economias e "quebrar a espiral fiscal-financeira".

Aos países emergentes, o fundo alertou ainda que o aumento na entrada de investimentos privados e as condições de crédito facilitadas podem desestimular a criação de proteções fiscais suficientes.

"Muitas economias emergentes precisam reformar suas proteções fiscais mais rápido para enfrentar temores sobre um superaquecimento da economia; ampliar a resposta a qualquer desaceleração no crescimento; ou evitar o retorno à políticas pré-cíclicas que iriam prejudicar sua credibilidade", disse o FMI.

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