FMI alivia posição sobre valor do iuan

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que o iuan chinês está apenas "moderadamente desvalorizado" ante uma cesta de moedas numa avaliação anual divulgada nesta quarta-feira, sugerindo uma diminuição da pressão internacional sobre Pequim acerca de seu mercado de câmbio e políticas comerciais.

LUCY HORNBY, Reuters

25 de julho de 2012 | 08h55

A nova postura do FMI sobre o valor do iuan --que o Fundo havia avaliado anteriormente como "substancialmente desvalorizado" contra do dólar-- surge com a moeda se aproximando do que muitos consideram de valor justo, e a questão retrocede como um ponto de atrito diplomático entre o Ocidente e a China.

O relatório afirmou que as reformas econômicas feitas até agora reduziram substancialmente desequilíbrios externos, mas ao custo de desequilíbrios internos significativos alimentados por um modelo de crescimento da China voltado para investimentos. Mas alertou para riscos se os investimentos desacelerarem com força ou se uma forte desaceleração econômica levar a uma alta na inadimplência de empréstimos.

A nova linguagem sobre a moeda reflete um crescente consenso de que o iuan está se aproximando de um valor justo depois de ficar por aproximadamente uma década num nível artificialmente fraco, potencialmente reduzindo-o a uma questão política e de comércio internacional.

"Agora, com o FMI dizendo que está OK, a legitimidade da acusação (de que a China distorce o valor de sua moeda) foi perdida", disse o diretor associado do Instituto de Estudos da OMC na Universidade de Relações Internacionais e Economia em Pequim, Tu Xinquan.

"Alguns políticos norte-americanos ainda vão falar sobre essa questão porque o déficit comercial bilateral ainda existe. Mas eu acho que o governo dos Estados Unidos não irá se focar no assunto."

A posição do FMI é de que a taxa de câmbio ainda tem uma maneira "não-trivial" para se apreciar, disse Markus Rodlauer, vice-diretor do departamento de Ásia-Pacífico do FMI. Ele não informou um valor exato.

No relatório do ano passado, o Fundo afirmou que o iuan estava "substancialmente desvalorizado" ante o dólar em cerca de 3 por cento a 23 por cento, dependendo da metodologia usada.

O FMI também diminuiu sua previsão de médio prazo para o superávit de conta corrente para entre 4 por cento e 4,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Esse nível é basicamente consistente com o que os economistas consideram ser um valor justo de câmbio, e em linha com níveis que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, previamente disse que ajudaria a manter a economia global bem equilibrada.

Colaboradores chineses para o relatório rejeitaram fortemente a ideia de que o iuan ainda não está num valor justo.

"Essa avaliação, na minha visão de autoridade, não é consistente com a realidade", afirmou o diretor-executivo do FMI, Tao Zhang, em resposta oficial das autoridades chineses, inclusa no relatório.

"O forte declínio no superávit da conta corrente e as dois movimentos recentes nas duas pontas (compradora e vendedora) no iuan sugerem que a moeda está praticamente em equilíbrio."

"A questão da taxa de câmbio é apenas uma parte de um pacote de reformas necessário para reequilibrar a economia", disse Rodlauer. Sem essas reformas, "será muito provável que o superávit de conta corrente suba de novo, não para onde estava antes, mas acima do que está agora", completou ele.

"Uma apreciação gradual será necessária nos próximos anos."

Externamente, o maior risco para a China vem da contínua crise na Europa, disse o FMI, acrescentando que espera que o crescimento econômico chinês chegue a 8 por cento, acima da meta do governo de 7,5 por cento mas em linha com as expectativas do mercado.

(Reportagem adicional de Michael Martina em Pequim e Lesley Wroughton em Washington)

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