FMI ameaça dar ‘cartão vermelho’ à Argentina por estatísticas duvidosas

Fundo se refere à falta de transparência no números do IPCA e do PIB do país

Marina Guimarães, correspondente ,

24 de setembro de 2012 | 19h31

BUENOS AIRES - O Fundo Monetário Internacional (FMI) ameaçou dar "um cartão vermelho" à Argentina se até o dia 17 de dezembro o país não normalizar as estatísticas medidas pelo Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec), disse a diretora-gerente do órgão, Christine Lagarde, nesta segunda-feira. "Tínhamos que escolher entre o cartão amarelo e o vermelho. Escolhemos o amarelo e demos três meses mais, antes de uma declaração de censura. Se não há progressos, mostraremos o cartão vermelho", disse Lagarde em resposta a perguntas de jornalistas durante uma conferência no Instituto Petersen, em Washington.

As declarações de Lagarde se referem ao comunicado do Conselho Executivo do FMI, no último dia 18, que lamentou a "falta de avanços suficientes na implementação de medidas" para normalizar e dar transparência ao índice de preços ao consumidor e ao PIB, suspeitos de ser manipulados por funcionários desde janeiro de 2007. A inflação anual medida pelo governo é de 10%, menos da metade dos valores estimados por institutos e consultorias privadas, em torno de 25%.

Lagarde afirmou que "a qualidade e a integridade dos dados são fundamentais" para o FMI. "Por isso, estou determinada a ter os dados corretos", acrescentou. Conforme os estatutos do FMI, os países membros que não respondam a pedidos de informações podem ser punidos com um veto ao acesso de recursos do organismo, perda do direito de voto e até expulsão.

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